Depois do impacto do episódio anterior, a série desacelera para observar as consequências. A relação entre Dunk e Egg ganha um peso diferente aqui: já não existe mais aquela inocência completa do começo da jornada. O texto trabalha bem o desconforto silencioso entre os dois, principalmente porque agora cada gesto de Egg carrega uma camada política que antes não existia. O episódio acerta ao não transformar isso em diálogos expositivos demais, o constrangimento, os olhares e a postura mais contida de Dunk dizem mais do que qualquer discurso.
Narrativamente, o episódio também se destaca por reforçar o clima de instabilidade de Westeros em pequena escala. Não estamos falando de dragões ou grandes guerras, mas de algo mais sutil: a sensação de que qualquer torneio, qualquer conversa de bastidor e qualquer favor concedido pode esconder jogos de poder muito maiores. Esse é um mérito claro da série até aqui, entender que O Cavaleiro dos Sete Reinos não precisa competir com a grandiosidade de Game of Thrones, mas sim com a sua capacidade de criar tensão a partir do cotidiano.
Ainda assim,
é impossível não reconhecer o cuidado com o tom. A série continua apostando
numa abordagem mais humana e melancólica, reforçando a ideia de que ser um
cavaleiro e especialmente um cavaleiro pobre e sem nome é muito mais sobre
sobreviver às expectativas do mundo do que sobre glória.
No fim, o
quarto episódio é um capítulo de transição bem executado, que aprofunda
personagens e atmosfera, mas que deixa a sensação de que faltou um
acontecimento realmente decisivo para torná-lo memorável. Ele prepara bem o
terreno… só não entrega, ainda, o impacto que a própria série já mostrou ser
capaz de alcançar, e acabou mantendo o nível dos outros episódios por conta do
seu encerramento de forma épica com Baelor Targaryen tomando partido de Dunk e
ficando contra seu irmão, sobrinho e toda a guarda real, o que ainda foi mais
enaltecido por conta da trilha sonora de Game
of Thrones.
NOTA: 08/10

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