O ano de 2025 finalmente chegou ao fim, e é com muito louvor (e cansaço) que eu deixo aqui a minha lista com os 30 filmes do ano que eu mais gostei (um pouco atrasado), fazendo breves comentários sobre cada um deles com o intuito de deixar a curiosidade de todos instigada.

OBS: Essa lista segue o gosto pessoal do redator, e não representa a opinião geral do site Fórum Nerd.

Gostaria de destacar também que obviamente não assisti todos os filmes do ano, e alguns lançamentos muito aguardados por mim e que poderiam estar nessa lista, como: Arco, O Testamento de Ann Lee e A Sombra do Meu Pai não foram disponibilizados para aluguel digital ou lançados nos cinemas brasileiros. Vamos então para a lista, passando rapidamente por algumas menções honrosas que não couberam na lista.

Menções Honrosas:

O Bom Bandido (Roofman, Dir: Derek Cianfrance), Tempo de Guerra (Warfare, Dir: Alex Garland e Ray Mendoza), Predador: Assassino de Assassinos (Predator: Killer of Killers, Dir: Dan Trachtenberg e Joshua Wassung), Wallace & Gromit: Avengança (Wallace & Gromit: Vengeance Most Fowl, Dir: Nick Park e Merlin Crossingham), Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa (Dir: Fernando Fraiha), Blue Moon (Dir: Richard Linklater), A Vida de Chuck (The Life of Chuck, Dir: Mike Flanagan), O Filho de Mil Homens (Dir: Daniel Rezende) e A Garota Canhota (Zuopiezi nuhai, Dir: Shih-Ching Tsou).

30. Sirât (Dir: Oliver Laxe)

Um homem e seu filho chegam a uma rave perdidos no meio do que é descrito como as montanhas áridas e fantasmagóricas do sul de Marrocos, procurando pela filha desaparecida.

Mesmo o diretor não gostando dos brasileiros, eu decidi manter esse filme na lista. Eu diria que "Sirât" é mais uma experiência fascinante do que necessariamente um filme bom. Ou melhor, ele é um filme bom, mas que tirando alguns fatores específicos, não carrega nada que faça ele se destacar tanto assim.

É uma jornada de um pai e o filho no meio de raves no deserto (que honestamente é algo tão bizarro que não duvido que as pessoas realmente concordariam em fazer essas festas no meio desses locais) tentando procurar a filha e irmã que está desaparecida, entrando em algo que é muito mais perigoso do que eles imaginam.

Sem entrar em muitos spoilers, pois acho que quanto menos você souber sobre o filme, melhor. Apenas irei dizer que não esperava ver um filme tão visualmente marcante e que fosse ser o sucessor espiritual de "Mad Max: Estrada da Fúria", com um uso forte do som e que também compartilha o ódio a raves.

O filme não está disponível em nenhum serviço de streaming no momento.

29. Mickey 17 (Dir: Bong Joon Ho)

Mickey é um "dispensável", um funcionário descartável em uma expedição humana enviada para colonizar o mundo gelado de Niflheim. Depois que uma iteração morre, um novo corpo é regenerado com a maioria de suas memórias.

Um dos raros diretores que ainda não fez um filme ruim, o vencedor do Oscar Bong Joon-ho (Parasita, Okja), que é um dos cineastas mais aclamados do mundo é uma lenda do cinema sul-coreano, mas por conta de sua fama vive se aventurando em fazer filmes norte americanos com grandes elencos, e agora que está capitaneando sua fama após as vitórias históricas de "Parasita" em 2020, ele aproveitou para convencer a Warner Bros. a adaptar uma ficção-científica bizarra envolvendo sátiras políticas, clones e criaturas alienígenas bizarras, em um filme de comédia histérico (em tom de elogio).

Robert Pattinson (Batman, O Farol) está eufórico e com uma voizinha que beira o irritante, em mais uma grande atuação de sua já consolidada carreira, enquanto Mark Ruffalo (Vingadores: Ultimato, Ilha do Medo) dá vida a uma barata e caricata versão de Donald Trump, que as vezes podia ter mais profundidade como personagem. As vezes dá a sensação de que o filme não atinge o seu total potencial e talvez se não fosse tão satírico poderia ser de fato algo especial, mas ainda é uma diversão em grande escala cheia de momentos bacanas.

O filme está disponível no catálogo da HBO Max.

28. Predators (Dir: David Osit)

Um pesquisador explora a polêmica série da NBC que capturou potenciais predadores infantis em operações secretas, levando a prisões e seu eventual cancelamento.

Entrando em um tema extremamente espinhoso, mas acho que todo mundo concorda que a pedofilia e o abuso de menores é o pior crime da face da Terra. E criar um programa de tv para "caçar" esse criminosos, utilizando atores infantis e até mesmo criar uma frase de efeito é uma perversão que consegue quase que ultrapassar os próprios crimes em si.  

Cada vez mais a espetacularização da tragédia é algo que as pessoas amam consumir. Não em entenda errado, sempre foi popular, mas hoje existe um anseio por cada vez mais programas, séries, podcasts e mídias variadas que querem lucrar com esse tipo de coisa (só ver a onda true crime e adaptações em séries e filmes que romantizam serial killers).

Isso em nenhum momento é uma defesa contra essas pessoas que cometem esses crimes hediondos, mas por trás até mesmo de monstros, existem pessoas, que podem ou não se arrepender de seus crimes, e transformar toda essa dor e tragédia em um programa de entretenimento é talvez um crime mais perverso ainda, e este documentário expõe isso com maestria.

O filme não está disponível em nenhum serviço de streaming no momento.

27. Corra que a Polícia Vem Aí! (The Naked Gun, Dir: Akiva Schaffer)

Apenas um homem tem as habilidades necessárias para liderar o Esquadrão Policial e salvar o mundo.

Caminhando em uma linha fina já que se trata de um tema espinhoso (infelizmente), mas faz tempo que não vejo uma comédia escachada que não tem vergonha de ser absolutamente pirada, sem sentido e que se diverte a cada momento.

Não que não tenhamos bons filmes de comédia, todo ano pipoca um ou outro que divertem ou filmes que misturam a comédia com outros gêneros que são bem sucedidos nas suas premissas, mas como eu tava com saudade de uma bobajada sem limites como "Corra que a Polícia Vêm Aí".

Virei fã do diretor Akiva Schaffer (Hot Rod - Loucos Sobre Rodas) desde que ele entregou o maravilhoso, engraçadíssimo e... extremamente real filme live-action de "Tico e Teco e os Defensores da Lei", e sabia que ele era a pessoa certa para entregar um novo filme dessa franquia que sabe ser insano, irreverente e que contaria com muitas piadas de baixo calão e bonecos de neve ressentidos que foram invocados por um livro místico. Ah, e Liam Neeson (Batman Begins, Busca Implacável) interpretando ele mesmo em um de seus filmes "sérios" foi de longe um dos melhores trabalhos em muitos anos do ator nos cinemas.

O filme está disponível no catálogo da Paramount+.

26. Oeste Outra Vez (Dir: Erico Rassi)

No sertão de Goiás, homens brutos que não conseguem lidar com suas fragilidades são constantemente abandonados pelas mulheres que amam. Tristes e amargurados, eles se voltam violentamente uns contra os outros.

Não foi uma surra, foi uma briga. Eu bati nele também.”

Quando a masculinidade e sentimento de inferioridade de dois homens entram em conflito por causa de uma mulher amada, os faz retornar para os instintos mais primitivos, trazendo violência e o clima do velho oeste de volta.

Um dos melhores filmes brasileiros do ano, o filme de Erico Rassi (Comeback: Um Matador Nunca se Aposenta) carrega excelentes atuações de Ângelo Antônio (2 Filhos de Francisco, Chico Xavier) e Babu Santana (Cidade de Deus, Tom Maia), explorando muito bem os sentimentos de solidão, melancolia e violência que regem os corações de muitos homens deste país.

Visualmente belo e explorando a violência crua como poucos sabem fazer, essa é a prova #13487845 de que o cinema nacional é espetacular e multifacetado.

O filme está disponível no catálogo da Globoplay.

25. A Corrida dos 100 Metros (Hyakuemu, Dir: Kenji Iwaisawa)

O talentoso corredor Togashi domina as corridas de 100m até a chegada do estudante transferido Komiya, motivando-o a treinar mais. Anos depois, eles competem como rivais na pista de corrida.

“Quando corro, dói mais do que na vida real. Então isso me distrai.”

De vez em quando algumas pérolas caem nos nossos colos do mais absoluto nada sem a gente esperar nada. Eu estava ciente de que um mangá de corrida do autor Uoto (Orbe: Sobre Os Movimentos Da Terra) iria ganhar uma adaptação em formato de um filme animado, e por ser fã do outro trabalho do mangaká, estava intrigado para ver o filme. E então que um belo dia o filme acabou pingando na Netflix, e na hora decidi assistir.

Como amante de mangás e animes de esporte, sei o potencial destas histórias de envolver o esporte a uma narrativa linda que vai trazer histórias e temas únicos, no caso de dois garotos que acham um sentido na vida através da corrida, e perdem quando não conseguem mais correr. Ao longo de seus amadurecimentos, a vida os separa, mesmo o esporte sendo essa linha que os conecta e traz uma motivação para seguir em frente.

A animação é um show a parte, misturando diversas técnicas e estilos diferentes, emulando o traço do autor e até usando rotoscopia para momentos mais emocionais em que os personagens estão se perdendo dentro de seus próprios desesperos. É um daqueles filmes que é até difícil escolher os melhores frames já que cada segundo é uma obra de arte.

O filme está disponível no catálogo da Netflix.

24. Superman (Dir: James Gunn)

Um herói movido pela crença e pela esperança na bondade da humanidade. Acompanhamos a jornada do super-herói Superman em tentar conciliar suas duas personas: sua herança extraterrestre como kryptoniano e sua vida humana, criado como Clark Kent na cidade de Smallville no Kansas.

A questão é que eu questiono tudo e todo mundo. Você confia em todo mundo e acha que todos são admiráveis.

Talvez o punk rock real seja isso.

O Superman é um dos grandes ícones da cultura pop, e o primeiro grande super-herói que deu início a mitologia que acompanhamos até hoje envolvendo esses personagens. Desde os anos 70 que o herói não era bem representado nas grandes telas, e chegou a vez dele retomar o seu posto como o maior de todos, desta vez em um filme capitaneado pelo diretor James Gunn (Guardiões da Galáxia, O Esquadrão Suicida), que inicia um novo universo compartilhado da DC Comics nos cinemas e televisão.

A bondade inerente é um dos grandes aspectos do Superman (David Corenswet), e o tema principal do filme. Em meio a esquemas maléficos do vilão Lex Luthor (Nicholas Hoult), Clark Kent tem que lidar com conflitos internos sobre as suas origens, que ressignificam quem ele acredita ser, lidar com crises amorosas, sua reputação e ajudar um país do oriente médio que está sendo massacrado por outro país vizinho (algo que não vemos no nosso mundo real).

Confesso que inicialmente não tinha sido tão fã do longa, que se me prendeu com sua montagem irregular e frenética, já que o filme tinha mil coisas pra lidar ao mesmo tempo que queria construir mais um universo compartilhado de heróis. Uma decisão de roteiro envolvendo os pais biológicos do Superman também não agrada o meu coração de leitor de gibis, mesmo sendo muito bem resolvido no filme e gerando cenas e conflitos internos emocionantes.

No geral é bom ter o herói de volta as telas e bem respeitado, expandindo toda a mitologia rica dele que muitas pessoas nem faziam ideia, desde os aspectos científicos, personagens secundários e é claro, cachorros voadores com capa.

O filme está disponível no catálogo da HBO Max.

23. Amizade Tóxica (Friendship, Dir: Andrew DeYoung)

Um pai de família do subúrbio se apaixona por seu carismático novo vizinho.

A melhor maneira de descrever esse filme seria e se "Coringa" fosse uma comédia estrelada pelo Didi?

Um sociopata vivido por Tim Robinson (I Think You Should Leave with Tim Robinson - Um Show de Comédia, A Cadeira) tem problemas de se relacionar com as pessoas. Não tem amizades, não consegue se conectar com os colegas do trabalho, seu relacionamento com a esposa é estranho, e o filho adolescente já o começa a enxergar como um... esquisito. Até que um carismático, gentil e maneiro novo vizinho surge na região, interpretado por Paul Rudd (Homem-Formiga, O Âncora), criando uma amizade inesperada 

Um filme que busca a zona bem estreita entre a comédia, o drama e o terror, o que faz ele ser tão interessante é o personagem de Robinson, uma pessoa extremamente comum que está na margem da sociedade, e ao receber algo que tanto desejava, não sabe como se comportar e leva as situações ao extremo (muito bem exemplificado com o final brilhante). 

Não sei dizer se eu consigo considerar esse filme uma comédia, já que ele se encaixa muito mais como um drama ou filme de terror. Mas é uma experiência bem única, que nem lamber um sapo raro.

O filme está disponível no catálogo da Paramount+.

22. Better Man - A História de Robbie Williams (Better Man, Dir: Michael Gracey)

Um perfil singular do astro pop Robbie Williams, narrando sua ascensão meteórica, queda dramática e ressurgimento notável.

Sempre falo que estou de saco cheio de cinebiografias (e estou). Normalmente seguindo esse formato de wikipédia e da maneira narrativa protocolar mais sem graça possível, todo ano tem 200 que são praticamente iguais e sem qualquer molho. Mas ao mesmo tempo tem aquelas com personalidade e coragem tão grandes que exigem reconhecimento, e esse é o caso de "Better Man".

Eu não fazia ideia de quem é Robbie Williams. Sei que tenho um conhecimento musical pífio e o cara é uma lenda britânica, mas vamos quebrar um galho e admitir que muita gente também não conhece o cara. E aí, eles decidem fazer uma cinebiografia sobre ele, estrelada pelo próprio Williams, com um pequeno diferencial: Ele é retratado o filme inteiro como um macaco feito por computação gráfica.

Essa sacada faz o filme ser singular, e não só os efeitos são ótimos como o filme tem sentimentos explosivos a todo momento, jorrando personalidade e carisma que te deixam em êxtase. Não reinventa nada, mas sabe contar a história com performances boas, sem passar nenhum tipo de pano para os erros do protagonista, e como eu já disse com um carisma magnífico. Um espetáculo do começo ao fim, me fez até ter vontade de escutar as músicas do artista.

O filme está disponível no catálogo da Amazon Prime Video.

21. Faça Ela Voltar (Bring Her Back, Dir: Danny Philippou e Michael Philippou)

Os irmãos Andy e Piper, que perderam o pai, vão morar com a nova mãe adotiva, Laura, numa casa isolada, onde descobrem um segredo terrível.

A dupla de youtubers Danny Philippou e Michael Philippou (Fale Comigo), do canal RackaRacka vêm com o seu segundo filme, um terror que explora o luto de uma maneira interessante e com a violência gráfica e gore que a dupla sabe muito bem construir.

O luto mutuo é explorado pela ótica tanto dos irmãos recém órfãos que perdem o pai, e de uma mãe, interpretada maestralmente pela excelente atriz Sally Hawkins (A Forma da Água, Paddington), que perdeu a sua filha amada por um pequeno deslize seu. Uma personagem detestável até o fim, o roteiro consegue ao menos te fazer sentir um pouco de empatia e tristeza por ela, mesmo nada justificando as suas ações monstruosas do início ao fim do filme.

Eu realmente adoro que "Faça Ela Voltar" não tenta te enrolar ou te enganar em momento algum. Com 15 minutos você já entende tudo que o filme é e consegue prever quase tudo que vai rolar (e considero isso um elogio) e mesmo assim ele segue entregando tudo certinho e te fazendo ficar grudado na tela. O final trágico encerra muito bem o ciclo de dor do luto e de toda a construção até o momento, me deixando ainda mais ansioso pelos próximos projetos da dupla de diretores.

O filme está disponível no catálogo da HBO Max.

20. Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out (Wake Up Dead Man, Dir: Rian Johnson)

O detetive Benoit Blanc investiga um crime "impossível" dentro de uma paróquia. Com tom sombrio, a trama acompanha o padre Jud Duplenticy, que busca provar sua inocência com a ajuda de Blanc em uma pequena cidade.

Eu simplesmente amo de paixão a franquia "Entre Facas e Segredos" do diretor e roteirista Rian Johnson (Star Wars - Os Últimos Jedi, Looper: Assassinos do Futuro). os filmes tem elenco estelares e acompanhamos mistérios instigantes liderados pelo já icônico detetive Benoit Blanc, vivido de forma hilária por Daniel Craig (007: Cassino Royale, Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres)

No terceiro filme da franquia, Blanc entra direto em conflito com a religião, tendo um olhar e comentário muito interessante sobre a importância da religião, mas principalmente a fé, na vida das pessoas. O padre Judd, vivido pelo incrível Josh O’Connor (The Crown, Rivais) é o grande destaque do filme, sendo talvez o melhor e mais amável personagem de 2025 (que protagoniza também uma das cenas mais emocionantes e poderosas do ano).

O resto do elenco no entanto infelizmente é o mais fraco de todos os filmes, tirando Craig, O'Connor, Glenn Close (Guardiões da Galáxia, A Esposa) e Josh Brolin (Duna, Vingadores: Ultimato). O mistério é bem desenvolvido e apesar de primeira a resolução parecer básica demais e deixar uma sensação de decepção, conforme fui digerindo o filme e revendo algumas cenas, acabei achando tudo bem mais amarradinho e divertido, sendo uma experiência satisfatória no final das contas.

Talvez o filme mais visualmente belo da franquia, o primeiro ainda é o mais equilibrado e fechadinho de todos, mas esse terceiro longa continua mostrando o folego incrível que esses filmes possuem, e continua te deixando sedento por mais aventuras de Benoit Blanc. Por mim poderiam fazer mais 20 filmes, quanto mais melhor.

O filme está disponível no catálogo da Netflix.

19. Bugonia (Dir: Yorgos Lanthimos)

A trama do longa segue dois jovens obcecados por conspirações que sequestram a poderosa CEO de uma grande empresa, convencidos de que ela é uma alienígena com a intenção de destruir o planeta Terra.

“Verdade. Mentira. Qual é a diferença?”

Emma Stone (La La Land: Cantando Estações, Cruella) e Jesse Plemons (Judas e o Messias Negro, Ataque dos Cães), em mais ótimas interpretações de suas carreiras brilhantes, estrelam esse remake americano do esquisito filme sul-coreano "Save the Green Planet" desta vez comandado pelo igualmente esquisito e brilhante Yorgos Lanthimos (Pobres Criaturas, A Favorita).

A paranoia que tomou conta das nossas sociedades é muito bem impressa pelo filme, que com o seu tom de suspense e humor ácido, retrata pessoas desiquilibradas que se agarram a fantasias para justificar pensamentos ocultos e ideais radicais que ocultam seus traumas e desilusões com a vida.

Existe um debate interessante em como o filme traí a sua mensagem nos minutos finais com a grande reviravolta, e eu acho um debate bem válido do ponto de vista do roteiro e suas escolhas. Mas acredito que é um final tão maluco e interessante, que agrega amis ainda ao filme, mesmo sendo extremamente polarizado.

O filme não está disponível em nenhum serviço de streaming no momento.

18. Cloud - Nuvem de Vingança (Kuraudo, Dir: Kiyoshi Kurosawa)

Revendedor de produtos online, Yoshii se vê envolvido em uma sequência de eventos misteriosos que ameaçam sua existência.

“Então é assim que se entra no inferno.”

Kiyoshi Kurosawa (A Cura, Sonata de Tokyo) é talvez um dos cineastas mais subestimados de sua geração. Ele é um mestre absoluto do horror asiático e do suspense, mas sabe tratar de diferentes temas e tipos de gêneros. Em "Cloud", ele mistura o horror, suspense e drama à um dos filmes de vinganças mais interessantes que eu vi nos últimos anos.

O protagonista é um golpista "menor" que todo mundo já cruzou na vida, vendendo um produto falsificado como se fosse algo original à um preço convidativo, enganando milhares de pessoas. Mesmo não sendo nada sério, o ressentimento somado a problemas pessoais transformam as pessoas em reais monstros que buscam a vingança extrema e mais desumana possível.

Nem tudo é exatamente encaixado e é o tipo de filme que termina te deixando com mais dúvidas do que respostas, e um caso raro onde isso acaba sendo algo positivo. A arte que desafia e engaja as vezes é a melhor possível, diferentes interpretações do fim e intenções de certos personagens que tinham vinganças pessoais diferentes. Inclusive o final é tão fascinante que me fez ter vontade de acompanhar a jornada do protagonista daqui pra frente. Uma pena que isso não deve acontecer.

O filme está disponível no catálogo da Mubi.

17. Sorry, Baby (Dir: Eva Victor)

Depois de um evento trágico, Agnes se vê sozinha enquanto todos continuam suas vidas como se nada tivesse acontecido.

“Eu me sinto culpado quando não penso nisso.

Um daqueles filmes que consegue bizarramente caminhar sobre vários tons e gêneros diferentes a cada minuto. Uma hora é uma comédia, salta para o horror, depois vira um drama e volta a ser algo leve. Uma estreia poderosa e incrível da atriz Eva Victor (Billions), que assina o roteiro e protagoniza esse belo filme.

É uma abordagem especial de um tema tão cruel, espinhoso e triste que já foi falado em trilhões de outros filmes. Nunca passei por uma situação destas, e existem relatos infinitos sobre como as pessoas lidam com isso, mas "Sorry, Baby" aborda de uma forma tão real, os altos e baixos, as sensações, o medo, desespero, tristeza e choque, que deixa o filme tão singular.

A cena especial com a participação breve do personagem vivido por John Carroll Lynch (Zodiáco, Fome de Poder) é uma das mais especiais do ano, lembrando que a real força da humanidade é a bondade que reside em nós, e como uma simples conversa pode salvar uma pessoa.

O filme não está disponível em nenhum serviço de streaming no momento.

16. A Hora do Mal (Weapons, Dir: Zach Creeger)

Em uma pequena cidade do interior, uma sala inteira de crianças de uma escola desaparece misteriosamente durante uma madrugada, levando a cidade, os moradores e a professora da turma entrar em uma espiral de terror e desespero.

Uma premissa simples mas genial que entregou um dos grandes filmes de terror da década que estimula, brinca e manipula o espectador à todo momento.

O horror não poderia estar mais quente do que hoje em dia, centenas de filmes do gênero são lançados todo ano e conseguem não só resultados esplendidos nas bilheterias, mas alcançam status grande dentro dos corações dos fãs, esse é um filme que quebra todos esses resultados e alcança patamares singulares dentro do gênero, consagrando o diretor Zach Cregger (Noites Brutais) como um dos nomes à sempre ficar de olho.

"A Hora do Mal" é um dos filmes mais insanos do ano que vive te surpreendendo, com uma narrativa fragmentada em capítulos bem interessante, mesclando o tom sombrio com pitadas de humor e personagens carismáticos. Se eu falar que essa não foi uma das experiências cinematográficas mais divertidas e prazerosas do ano, estaria mentindo.

Sem falar na personagem Tia Gladys, interpretada pela excelente Amy Madigan (Campo dos Sonhos), que conseguiu com esse já icônico papel grandes prêmios que a tornam a favorita para conquistar o seu primeiro Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Uma vilã macabra e intrigante que tem tudo pra se tornar um ícone do horror, assim como o filme.

O filme está disponível no catálogo da HBO Max.

15. Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria (If I Had Legs I'd Kick You, Dir: Mary Bronstein)

Com sua vida literalmente desmoronando ao seu redor, Linda tenta lidar com a doença misteriosa de sua filha, seu marido ausente, uma pessoa desaparecida e um relacionamento cada vez mais hostil com seu terapeuta.

O "Joias Brutas" só que de mães, "Se Eu Tivesse Pernas Eu Te Chutaria" foi uma das experiências mais desconfortantes de 2025, temos uma mãe (Rose Byrne) que tem que lidar com todos os problemas do mundo, ao passo que as situações vão se agravando e ela começa a ceder para a insanidade, quase que gritando por socorro para as pessoas ao seu redor.

Uma simples decisão narrativa da diretora e roteirista Mary Bronstein (Yeast) de não mostrar o rosto da filha é um toque que transforma esse filme em algo único, com a criança sendo quase que uma assombração para a mãe, sempre ao seu lado, falando ou fazendo sons a todo minuto (causando quase que um ataque de pânico/raiva no espectador) e acrescentando camadas ao estresse e sensação de caos que cerca a vida da protagonista.

Com uma das melhores atuações do ano, mérito da atriz Rose Byrne (Sobrenatural, Sra. América), diria que essa é a maior propaganda possível para não ter filhos e buscar ajuda de pessoas diferentes sem ter medo de trocar de terapeuta. Não acho que é um filme fácil ou para todos, mas é um trabalho mais do que interessante, e ficarei bem atento para os próximos trabalhos da diretora.

O filme está atualmente em cartaz nos cinemas.

14. A Vizinha Perfeita (The Perfect Neighbor, Dir: Geeta Gandbhir)

Um pequeno desentendimento entre residentes da Flórida toma um rumo letal, com imagens de câmeras corporais da polícia e entrevistas investigando as consequências das polêmicas leis estaduais de "defenda sua posição".

“ Você está ferido?

Não, mas meu coração está partido.”

Estar assustado e se sentir coagido não te faz a vitima, e muitas vezes você é o vilão da história. Uma pessoa comum, que senta do seu lado no trem, faz compras no mesmo mercado, toma um café na padaria, vai a praia ou simplesmente é a sua vizinha pode ter dentro de si um monstro que esconde por trás de uma máscara.

Uma mulher que se faz de vítima, a polícia incapaz de fazer o seu trabalho, e uma tragédia sem fim. Como alguém que detesta True Crimes, já que considero uma espetacularização da tragédia e de assassinos, "A Vizinha Perfeita" foi um contra ponto para esse tipo de experiência vulgar. E tudo isso em um documentário criativo que utiliza apenas filmagens de câmeras instaladas em uniformes dos policiais.

O filme está disponível no catálogo da Netflix.

13. Sonhos de Trem (Train Dreams, Dir: Clint Bentley)

Robert Grainer, um homem comum que vive em tempos extraordinários, trabalha como diarista no oeste americano no início do século XX. Atingido pela morte de sua família, ele luta para se adaptar a esse novo ambiente.

“Lindo, não é? Tudo isso. Cada detalhe.”

As vezes encontramos sentido na vida enquanto vivemos. Buscamos respostas lógicas para coisas incompreensíveis que provavelmente nunca teremos. E esse e o tema de um dos mais belos filmes de 2025.

Joel Edgerton (A Lenda do Cavaleiro Verde, Guerreiro) entrega mais uma interpretação monstruosa no filme de Clint Bentley (Jockey). Um homem atormentado pelos questionamentos da vida e que leva o seus dias buscando uma resposta para seu luto, sempre em um pequeno espaço do vasto mundo que sempre o desafia.

A fotografia inacreditável do brasileiro Adolpho Veloso (Rodantes, Mosquito) traz uma sensação atmosférica incrível que faz parecer que estamos inseridos no meio das paisagens e cenários com o protagonista. É meio clichê falar isso, mas "Sonhos de Trem" é um filme sobre a vida, sobre as pessoas. A beleza inconcebível e tristeza que nos cerca, a busca por respostas e a beleza que é viver.

O filme está disponível no catálogo da Netflix.

12. Eddington (Dir: Ari Aster)

Em maio de 2020, um impasse entre um xerife e um prefeito de uma pequena cidade gera um conflito entre vizinhos em Eddington, Novo México.

O maior retrato até o momento da paranoia política que tomou conta do nosso mundo, onde a verdade não importa e as pessoas foram idiotizadas em um nível que preferem acreditar na própria verdade do que em fatos, sempre criando inimigos imaginários e motivos para causar discordância para ganhar reconhecimento, popularidade ou simplesmente massagear o ego.

Esse até o momento é o filme definitivo sobre a pandemia do Covid-19, recriando de forma maestral o clima político que foram aqueles anos, o uso desenfreado e bizarro das redes sociais, pessoas se politizando defendendo causas sem saber o por que, uma militância muitas vezes vazia e teatral só para atingir objetivos vazios. Inclusive, é um excelente comentário sobre masculinidade tóxica, já que o xerife Joe Cross (Joaquin Phoenix) só faz o que faz por se sentir emasculado e desrespeitado pela população e o prefeito Ted Garcia (Pedro Pascal).

Ari Aster (Hereditário, Midsommar - O Mal Não Espera a Noite) cria o seu épico faroeste moderno que mesmo tendo sido divisivo, vai envelhecer como um bom e refinado vinho. E diferentemente de várias críticas vazias e rasas que costumam vir de Hollywood, "Eddington" tem algo a dizer e sabe dizer isso muito bem e com boas pitadas de humor.

O filme não está disponível em nenhum serviço de streaming no momento.

11. Presença (Presence, Dir: Steven Soderbergh)

Uma família se convence de que não está sozinha depois de se mudar para uma nova casa nos subúrbios.

Steven Soderbergh (Contágio, Onze Homens e um Segredo) é um diretor que gosta de experimentar e está sempre se renovando, mesmo lançando praticamente um filme novo (ou até mais!) por ano. E é isso que ele faz com "Presença", um terror experimental fantástico que muita gente absolutamente odiou, por não ser um terror de susto e sim algo mais atmosférico que te coloca literalmente no ponto de vista de um espírito.

O grande charme é ver toda a história e o drama dessa família pelo ponto de vista de um fantasma, que realmente não foca tanto no aspecto do horror. A trama vêm escondendo alguns detalhes sobre problemas e traumas dos personagens, com algumas reviravoltas interessantes que se encaixam em uma história rápida e que nunca fica desinteressante.

Existe um suspense e mistério de quem ou o que é esse espírito, e a revelação final do filme é algo muito bem construído que ressignifica muitas cenas. no fim das contas é uma experiência muito interessante que como eu já ressaltei, não é pra todo mundo. 

O filme está disponível no catálogo da Amazon Prime Video.

10. Chainsaw Man - O Filme: Arco da Reze (Gekijô-ban Chensô Man Reze-hen, Dir: Tatsuya Yoshihara)

Após um encontro com Makima, Denji, o Chainsaw Man, conhece Reze, uma misteriosa garota de café que oferece a ele uma conexão humana e amor, mas guarda um segredo sombrio como o Demônio Bomba, levando Denji a sua batalha mais perigosa e pessoal em busca de um romance genuíno e uma vida normal.

“Todos querem o coração do Chainsaw Man. Mas ninguém quer o coração do Denji.”

Quem lê os meus textos sabe da minha paixão pelo autor Tatsuki Fujimoto (Look Back, Adeus Eri), e eu acompanho "Chainsaw Man" desde os seus primeiros capítulos, e com a explosão que foi a adaptação em anime faz alguns anos, é claro que eles não perderam tempo e adaptaram o segundo arco do mangá no formato de um longa animado para os cinemas.

Mesmo já conhecendo a história, é impossível assistir ao filme sem ficar completamente maluco e empolgado pela animação estratosférica desse filme, onde as explosões (que são muitas) não param a todo momento. Chega um momento que você até esquece quem é com tanta coisa bizarra e incrível acontecendo na tela. Mas tá, a parte gráfica é incrível e as lutas são sensacionais. E o resto?

Bem, por ter lido faz uns bons anos, não lembrava de todos os mínimos detalhes, mas a jornada de Denji é pra mim o grande ponto alto da obra, e aqui tem um grande capítulo de sua história, com ele encontrando o primeiro amor genuíno de sua vida, que até o momento foi preenchida de tristeza e desgraça. E mesmo assim, esse amor logo se transforma em desilusão e sofrimento, mas mesmo assim ele encontra a beleza nisso e transforma essa experiência em algo bom.

Reze é uma das personagens mais marcantes de "Chainsaw Man", e toda a sua breve história com Denji é bela e tem um desfecho catártico e triste, assim como o conto do rato da cidade e o rato do campo.

O filme não está disponível em nenhum serviço de streaming no momento.

9. Extermínio: A Evolução (28 Years Later, Dir: Danny Boyle)

Um grupos de sobreviventes do vírus da raiva vive em uma ilha. Quando um do grupo deixa a ilha em uma missão ao continente, ele descobre segredos, maravilhas e horrores que transformaram não apenas os infectados, mas outros sobreviventes.

“Memento Mori. Lembre-se que todos nós devemos morrer. 

Memento Amoris. Lembre-se que você deve amar.”

Todo mundo gosta de terror e de zumbis, e a franquia "Extermínio" foi uma das pioneiras nos anos 2000 em reviver esse gênero. E agora com a ideia de fazer uma nova trilogia de filmes nesse universo, com o retorno do roteirista e diretor do original, nasce o que pode ser uma das grandes trilogias da história do cinema, e isso não é um exagero.

Dito isto, esse é um filme de mãe e filho. Uma jornada de uma criança nesse mundo (ou país, visto que o vírus só afetou o Reino Unido) insano buscando a ajuda de um médico não convencional, pra tentar achar uma cura para a sua mãe doente. As cenas de ação são legais, os zumbis são maneiros e os alfas são um conceito muito legal, mas o terço final do filme me destruiu completamente, me fazendo chorar e sentir o peso da vida.

A direção é característica de Danny Boyle (Trainspotting: Sem Limites, 127 Horas), extremamente ágil e com cores vibrantes, podendo ser um pouco estilizado demais para pessoas comuns, mas eu adoro cada shot desse filme (que foi filmado completamente com câmeras iPhone!).

O filme está disponível no catálogo da HBO Max.

8. Pecadores (Sinners, Dir: Ryan Coogler)

Dispostos a deixar suas vidas conturbadas para trás, irmãos gêmeos retornam à cidade natal para recomeçar suas vidas do zero, quando descobrem que um mal ainda maior está à espera deles para recebê-los de volta.

“Quero suas histórias. E quero suas músicas. E você vai ter as minhas.”

"Pecadores" foi um dos eventos culturais da cultura pop de 2025. O filme de Ryan Coogler (Pantera Negra, Creed: Nascido Para Lutar) conquistou o coração dos espectadores ao redor do mundo, e já é um dos filmes mais celebrados da história das grandes premiações.

O que começa como um thriller de época de dois irmãos fora da lei que roubaram uma remeça de bebidas para abrir um bar para pessoas negras, se torna em um filme de horror com vampiros que mistura a música, o terror e a beleza da vida.

A cultura negra é explorada ao máximo pelo filme, e principalmente como ela foi usurpada por outras culturas ao longo dos séculos, mas o seu povo foi igualmente renegado por aqueles que a utilizam. Uma grande ode a música e a cultura que é passada pelas gerações.

E poderia falar das mil cenas icônicas e principalmente da sequência da música atemporal, mas seria chover no molhado. Temos um clássico moderno do cinema que vai inspirar milhares de jovens cineastas pelo mundo, como uma boa obra cultural consegue fazer.

O filme está disponível no catálogo da HBO Max.

7. Foi Apenas um Acidente (Yek Tasadof-e Sadeh, Dir: Jafar Panahi)

Um pequeno incidente provoca uma reação em cadeia de problemas cada vez mais graves.

“Nós não somos assassinos, não éramos como eles, não há necessidade de cavar suas sepulturas, eles mesmos se desfizeram delas. Seriam seus ideais que você estaria enterrando.

Um grupo improvável de pessoas se juntam para buscar a verdade, vingança e justiça contra um homem que acreditam ser aquele que as torturou enquanto estavam presas. Vendadas, o homem se divertia enquanto aplicava táticas inumanas em seus corpos, os fazendo ter sequelas psicológicas e físicas.

O dissidente diretor iraniano Jafar Panahi (Táxi Teerã, Sem Ursos) retrata seus profundos sentimentos e experiências pessoais no filme, já que ele foi preso e torturado pelo regime iraniano por se manifestar contra os governantes do país. Por conta de tudo isso, Panahi consegue humanizar cada personagem do filme, com nuances e sentimentos conflitantes que eles carregam e jogam uns nos outros, sendo um grande estudo de empatia

Encontrando o humor com o trauma, uma amostra de que o combate contra as cicatrizes e traumas que conectam as pessoas podem trazer uma cura para a alma, com você sendo maior que suas cicatrizes e aqueles que as causaram. Os minutos finais são absolutamente devastadores e inquietantes, sendo um dos melhores encerramentos de filmes de 2025.

O filme está atualmente em cartaz nos cinemas.

6. A Única Saída (Eojjeolsuga Eobsda, Dir: Park Chan-wook)

Depois de ficar desempregado por vários anos, um homem elabora um plano único para conseguir um novo emprego: eliminar sua concorrência.

Quando vi que o aclamado diretor sul-coreano Park Chan-wook (Oldboy, A Criada) lançaria um novo filme fiquei completamente empolgado, principalmente pela premissa intrigante (sendo um remake do filme francês "O Corte"). O cineasta é conhecido por seus filmes chocantes carregados de reviravoltas e dramas humanos, e a minha cara no cinema ao descobrir que não só tem tudo isso, mas o filme se trata de uma comédia com momentos de te fazer gargalhar, mesmo tendo essa premissa, me deixou tão em choque que eu tive que recolher parte dela do chão depois da sessão.

O capitalismo é feito para esmagar e trucidar o trabalhador, isso até os maiores capitalistas do mundo sabem. Mas o filme leva esse conceito a enésima potência, quando um fiel trabalhador, que fazia o seu trabalho direito por mais de 20 anos, que é vivido pelo multifacetado Lee Byung Hun (Eu Vi o Diabo, Round 6), é demitido repentinamente, e traz desgraça para a sua família e diversas dividas. E como alternativa, ele decide matar os concorrentes de uma vaga de emprego requisitada, onde mais uma vez o capital joga as pessoas umas contra as outras.

Como eu falei, apesar de toda essa premissa, o filme é simplesmente hilário, e Wook toma uma abordagem bastante original e surpreendente em não fazer disso um super drama pesado e depreciativo (o que também não seria algo ruim!), isso tudo sem fazer todas as suas críticas e comentários ficarem vazios.

Com a direção eletrizante que só Wook sabe fazer, temos aqui não só um dos melhores filmes do ano mas uma das melhores comédias da década.

O filme está atualmente em cartaz nos cinemas.

5. Valor Sentimental (Affeksjonsverdi, Dir: Joachim Trier)

Um drama que acompanha as irmãs Nora e Agnes no reencontro com o pai, Gustav, um renomado cineasta distante. Após a morte da mãe, Gustav tenta se reaproximar filmando sua história, mas a recusa de Nora em atuar no filme gera conflitos, envolvendo uma estrela de Hollywood e forçando a família a confrontar memórias e laços afetivos.

“Mas nós não tivemos a mesma infância. Eu tive você.”

Todo mundo tem problemas familiares e um trauma que vai carregar pela vida. Duas irmãs (Renate Reinsve e Inga Ibsdotter Lilleaas) que recém perdem a mãe, se reencontram com o pai (Stellan Skarsgård), que sempre foi bem ausente e deu foco para a sua carreira como diretor.

Esses traumas familiares obviamente seguem os personagens, mas escondem também uma bela perspectiva que nunca tiveram sobre seus relacionamentos, duas irmãs que são muito mais conectadas do que imaginam, e serviram para salvar uma a outra em tempos tão difíceis que passaram.

A bela casa que por dentro mostra rachaduras e traumas antigos, sendo remendada e usada de molde para a feitura do novo filme de Gustav, que se prova um homem tão quebrado e esquecido quanto a própria casa.

Joachim Trier (A Pior Pessoa do Mundo, Oslo, 31 de Agosto) é um dos meus diretores e roteiristas favoritos da atualidade, e embora seja difícil ele conseguir bater a obra de arte que é "Oslo, 31 de Agosto", continua esmiuçando a alma humana e criando filmes lindos que nunca se tornam entediantes ou repetitivos.

O filme está atualmente em cartaz nos cinemas.

4. Marty Supreme (Dir: Josh Safdie)

Na Nova Iorque dos anos 50, Marty Mauser, um jovem com um sonho que ninguém respeita, enfrenta dificuldades extremas em busca da grandeza.

A busca por ser o melhor do mundo é a maior representação possível do sonho americano e de uma juventude que almeja o impossível, e isso é o personagem de Marty Mauser, interpretado por uma das maiores atuações da carreira de Timothée Chalamet (Duna, Me Chame Pelo Seu Nome).

Marty é um canalha carismático, manipulador, apático, arrogante e sonhador, que tenta de tudo se lançar como um grande jogador de tênis de mesa, passando por cima de tudo e todos para se tornar o campeão mundial, sendo um dos personagens mais fascinantes do ano.

Um dos filmes mais eletrizantes do século, o diretor Josh Safdie (Joias Brutas, Bom Comportamento) mergulha de cabeça no caos que é a busca pela grandeza, sempre se superando nas insanidades cometidas pelo seu protagonista e as figuras caricatas e únicas que esbarram pelo seu caminho, desde uma atriz decadente em busca de voltar a glória do passado, um gangster perigoso que buscam seu cachorro roubado, e um vampiro milenar capitalista que quer massagear o seu ego constantemente. É sobre isso que os filmes são, não precisamos de mais nada.

O filme está atualmente em cartaz nos cinemas.

3. Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (Hamnet, Dir: Chloé Zhao)

A história de Agnes - a esposa de William Shakespeare - enquanto ela luta para lidar com a perda de seu único filho, Hamnet. Uma história humana e comovente que serve de pano de fundo para a criação da peça mais famosa de Shakespeare.

A nossa conexão com a arte é uma das coisas mais belas da humanidade, capaz de passar sentimentos através dela. Quando uma jovem, renegada por parte da família e com uma origem não convencional, que realmente tem uma conexão forte com a vida vegetal e as florestas, se apaixona por um jovem sonhador também renegado pela família, vivem uma vida feliz e cheia de desafios, para passar por a pior tragédia possível: a perda de um de seus amados filhos.

O luto e os sentimentos humanos transmitidos para as outras pessoas através da arte, que inspira os autores a criar algo e passar para as pessoas esses sentimentos infinitos, e como isso consegue falr com a gente como se estivéssemos sentados um na frente do outro dialogando, sendo que tudo isso não passa de uma história fictícia escrita por pessoas. É uma grande ode não só a Shakespear, um dos humanos mais importantes da história, mas no papel da arte e a comunicação.

As vezes um pouco chato e beeeeemmm contemplativo, isso são características do cinema da diretora Chloé Zhao (Nomadland, Eternos), mas que aqui entrega não só o seu melhor longa, mas uma obra transformadora que tem os 10 minutos finais mais poderosos que eu vi recentemente no cinema, que te faz quase levitar da cadeira de tão mágico, reconfortante e trágico. Preciso também destacar o trabalho estratosférico da atriz Jessie Buckley (A Filha Perdida, Estou Pensando em Acabar com Tudo), que deve ganhar o seu primeiro Oscar por esta poderosa interpretação.

O filme está atualmente disponível em cartaz nos cinemas.

2. O Agente Secreto (Dir: Kleber Mendonça Filho)

Em 1977, um especialista em tecnologia foge de um passado misterioso e retorna à sua cidade natal, Recife, em busca de paz. Ele logo percebe que a cidade está longe de ser o refúgio que procurava.

Eu não sou uma pessoa violenta. Mas esse cara... Esse cara eu matava com um martelo.

Primeiramente não estou colocando o filme nessa posição para tentar me fazer inteligente ou pois é um filme popular nacional. Temos aqui uma gema do cinema nacional e mundial que inclusive acho que merecia um reconhecimento ainda maior do que está tendo (que já é bastante, mas merece ainda mais).

"O Agente Secreto" é um filme extremamente importante e atual, apesar de se passar nos anos 70. Muita gente pode querer enquadrar ele apenas como um "filme de ditadura™", mas ele é um filme sobre a corrupção humana, já que a ditadura é apenas um pano de fundo para mostrar como o individualismo humano destrói as vidas.

É também um filme sobre a memória. Aqueles que viveram, lutaram e se foram. Como temos a tendência de esquecer as coisas e seguir em frente sem questionar muito o passado, e criar impressões erradas sobre o que aconteceu, e a importância que temos que dar para os nossos antepassados e a história deste país. Acho que isso é bem documentado pela paixão do diretor pelo cinema, que não deixa de ser uma memória, inclusive o meu momento de gritar e passar vergonha (que nem os fãs de filmes da Marvel), foi a linda homenagem ao seu Alexandre, uma figura incrível do documentário "Retratos Fantasmas", que eu também já comentei em um texto anterior de melhores filmes, sendo um personagem importante aqui neste filme.

A reprodução de época é uma coisa de maluco, digna dos grandes filmes que vemos por aí mundo a fora. A Recife dos anos 70 é perfeita, os figurinos, carros, caracterizações, linguajar... É tudo fantástico. Não preciso nem falar do visual magnífico e as atuações sensacionais, capitaneadas pelo grande Wagner Moura (Tropa de Elite, Guerra Civil). Os pequenos detalhes dos personagens que servem para contar um pouco de suas histórias individuais ajuda com que todos eles sejam interessantes e deixem o filme extremamente dinâmico e gostoso de assistir, com a paulada que é o final.

Sou maluco pelo cinema do Kleber Mendonça Filho (Bacurau, Aquarius) desde que eu vi "O Som ao Redor", que ainda considero o seu melhor filme. Mas "O Agente Secreto" é uma pedrada daquelas fortes, e foi o único filme de 2025 que me fez sair eufórico do cinema, e não consigo parar de pensar nele, pelo menos uma vez ao dia. Se isso não é a prova de um filme foda pra caralho, então eu sou um doidinho de bairro mesmo. 

O filme está atualmente disponível em cartaz nos cinemas.

1. Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another, Dir: Paul Thomas Anderson)

Quando seu inimigo maligno ressurge após 16 anos, um grupo de ex-revolucionários se reúne para resgatar a filha de um dos seus.

Paul Thomas Anderson (Sangue Negro, Magnólia) é um dos maiores mestres da história do cinema, e já se provou um cineasta maestral faz muito tempo. Adaptando o livro "Vineland" de Thomas Pynchon, ele retrata a luta que muitas pessoas fazem para manter suas vidas e enfrentar grupos de ódio extremamente poderosos que assolam a nação.

Misturando o humor com ação e drama, Anderson entrega um novo clássico que pode não ser muito convidativo de primeira, mas que conforme ele se desenvolve vira algo único e visceral, sendo outro retrato profundo do atual momento dos EUA, mas que também se reflete em outros países (como o Brasil) que viram o crescimento e ressurgimento da extrema direita fascista na última década.

No que poderia ser descrito basicamente como MAGA vs. ANTIFA, temos um grupo fascista liderado pelo coronel Lockjaw, vivido brilhantemente por Sean Penn (A Arvore da Vida, Na Natureza Selvagem) que ressurge caçando um grupo de revolucionários, entrando em conflito direto com Bob (Leonardo DiCaprio), que havia se aposentado do grupo, começando uma jornada alucinante em busca de verdades, vingança e justiça.

São quase três horas de filme que passam voando, com personagens marcantes e sequências de tirar o fôlego (temos aqui uma das maiores cenas de perseguição de carros da história do cinema), sendo uma obra prima do cinema moderno que vai ser estudada a fundo nos próximos anos/décadas.

O filme está disponível no catálogo da HBO Max.

Bom é isso, agradeço profundamente a todos que leram o texto, e se possível sigam o Fórum Nerd nas nossas redes sociais. Gostaram do texto? Concordam com a lista? Qual a lista de vocês? Algum filme que merecia ficar na lista acabou ficando de fora? Deixa um comentário aqui embaixo!

E que 2026 tenha tantos filmes bons e memoráveis quanto 2025!

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem