Episódio 5 – Um excelente capítulo de desconstrução

O quinto episódio é simplesmente excelente porque entende exatamente o que a série quer ser: uma história sobre honra em um mundo que não recompensa pessoas honradas.

Aqui, o roteiro acerta em cheio ao abandonar qualquer resquício de aventura confortável. Tudo é construído para deixar Dunk em um lugar moralmente incômodo e isso eleva muito o nível do episódio. Não há grandes viradas artificiais, nem conflitos inflados. O drama nasce das situações pequenas, humanas e, justamente por isso, mais cruéis.

O episódio é excelente também por trabalhar o desconforto como linguagem. A direção segura cenas por mais tempo, aposta em silêncios e em reações, e faz o espectador sentir o peso das decisões de Dunk. Ele não é punido por ser fraco — ele é punido por tentar fazer a coisa certa.

Egg cresce muito neste capítulo. Sua presença deixa de ser apenas funcional e passa a ser narrativa: ele observa, aprende e começa a perceber que o mundo real está muito distante da ideia romantizada que envolvem cavaleiros e nobreza.
O quinto episódio é excelente porque não entrega catarse. Ele entrega frustração — e faz disso sua maior força.

 

Episódio 6 – Um excelente capítulo de amadurecimento emocional

Se o episódio 5 é excelente por desconstruir, o sexto é excelente por aprofundar.

Aqui a série eleva o drama entre Dunk e Egg a um novo patamar. A diferença de origem entre os dois deixa de ser um detalhe de contexto e passa a ser um problema dramático real, que interfere diretamente nas decisões e na forma como eles se relacionam.

O grande mérito do episódio 6 está no retrato do desgaste de Dunk. Ele já não é mais apenas um cavaleiro tentando sobreviver — é um homem cansado de perceber que sua noção de justiça raramente encontra espaço para existir.
O texto é mais direto, mais emocional e, ainda assim, muito contido. Não há discursos longos nem explicações desnecessárias. A série confia no subtexto, e isso torna o episódio ainda mais forte.

Egg, por sua vez, dá um salto de maturidade. O peso da sua verdadeira posição no mundo deixa de ser apenas um segredo e passa a ser uma responsabilidade silenciosa, que começa a moldar sua visão sobre poder, hierarquia e consequência.

O sexto episódio é excelente porque transforma o conflito interno dos personagens no verdadeiro motor da narrativa e não apenas os eventos externos.

 

Conclusão:

Os episódios 5 e 6 são, sem exagero, dois episódios excelentes.

O quinto se destaca por desmontar a fantasia do cavaleiro honrado.
O sexto se destaca por mostrar o preço emocional dessa desconstrução.

Juntos, eles formam o bloco mais forte da temporada até agora. A série deixa claro que não está interessada em grandes feitos heroicos, mas em acompanhar personagens sendo lentamente moldados e feridos por um mundo injusto.

São dois capítulos que elevam o nível do drama, aprofundam Dunk e Egg como protagonistas e consolidam O Cavaleiro dos Sete Reinos como uma obra muito mais amarga, madura e interessante do que aparentava no início.

 NOTA: 9,5/10

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