O eletrizante filme de Josh Safdie mostra como a busca pela grandeza entra em choque com o sonho americano em um dos melhores filmes de 2025.

Gostaríamos de agradecer a Diamond Films por convidarem a gente para assistir o filme na cabine de imprensa. O filme chega aos cinemas brasileiros amanhã (22/01).

Na Nova Iorque dos anos 50, Marty Mauser, um jovem com um sonho que ninguém respeita, enfrenta dificuldades extremas em busca da grandeza.

Depois dos irmãos Josh e Benny Safdie (Joias Brutas, Bom Comportamento) se separarem e cada um seguir um rumo diferente na carreira, com Benny focando em projetos como ator e dirigindo o filme “Coração de Lutador” estrelado por Dwayne Johnson (Jumanji, Adão Negro), Josh decidiu se manter no mesmo campo que os filmes anteriores da dupla, entregando o sucessor espiritual de “Joias Brutas” só que com tênis de mesa como foco.

Marty Mauser (Chalamet) é a personificação do jovem que sonha alto em se tornar alguém e atingir a grandeza. De cara vemos como ele é bom em lidar com as pessoas e enrolar todo mundo, tendo uma lábia e persuasão assustadoras que levam ele a conseguir o que quer. Arrogante e carismático, não sabemos nada sobre o seu passado (já que isso mesmo é algo que ele renega), apenas que ele tem um sonho de ser o melhor do mundo, e encontra essa âncora no esporte de Tênis de Mesa, que não era nada popular nos EUA dos anos 50.

Por que ele escolheu tênis de mesa? Bem, ele mostra um talento genuíno para o esporte, mas ao mesmo tempo é algo que ele consegue imprimir a sua marca, não precisa de muitos recursos aparentes, e existem muitas pessoas manipuláveis no ramo e amadores que podem servir para ele tirar vantagem.

A atuação de Timothée Chalamet (Duna, Me Chame Pelo Seu Nome) é impressionante, ele comanda o filme com a palma da sua mão, e a persona atemporal de Marty é quase que uma representação do próprio ator, que já destacou várias vezes que almeja estar entre os melhores, já tendo vendido desde grandes sonhos messiânicos (Duna) até chocolates fantásticos (Wonka). E com uma carreira tão abrangente e impressionante (principalmente para alguém que recém fez 30 anos), “Marty Supreme” é a sua melhor atuação, e se o Oscar realmente vier, será mais do que merecido.

Marty Mauser é a representação do nacionalismo e sonho americano, usando de sua lábia e nome da nação para subir no mundo e desafiar a todos sem qualquer pudor, diminuindo seus adversários que representam nações opostas. Em um mundo onde as pessoas parecem ter repúdio à obras com protagonistas moralmente ambíguos ou até mesmo duvidosos, Marty abraça esse picareta caricato e carismático que você quer saber exatamente o que vai acontecer com ele, torcendo para seus esquemas darem certo, mesmo ele sendo uma pessoa horrorosa que trata até a mãe (e as mulheres a sua volta) de uma maneira péssima.

Ser o melhor é algo que todo mundo quer ser, mesmo sendo um sonho impossível, sejamos realistas. E essa ideia de ser o melhor é tudo o que importa para Marty, sempre apostando tudo que tem nisso, se envolvendo em problemas e vendendo esses sonhos lúdicos para todos a sua volta, sendo um personagem típico do cinema dos Safdie de trambiqueiros fascinantes.

A edição louca é algo também característico da filmografia dos Safdie, e Josh mantém tudo isso com a ajuda do seu tradicional editor e co-roteirista Ronald Bronstein (Joias Brutas, Bom Comportamento), editando junto dele. Muito desse mérito é devido à direção insana de Safdie, que tem tudo sobre controle em meio ao caos que é a vida e vigarices de Marty, dando aquele leve ataque de ansiedade com o protagonista se metendo em cada vez mais enrascadas enquanto busca já resolver outros problemas.

Obviamente os outros aspectos técnicos são impecáveis também, com os figurinos e recriação de época sublimes, uma fotografia belíssima do veterano Darius Khondji (Seven - Os Sete Crimes Capitais, Joias Brutas) e uma trilha sonora também eletrizante de Daniel Lopatin (Joias Brutas, Bom Comportamento) que combina com todo o ritmo do longa.

Já o elenco de apoio tem nomes famosos ou em ascensão na carreira como Gwyneth Paltrow (Vingadores: Ultimato, Shakespeare Apaixonado), Odessa A’Zion (Hellraiser - Renascido do Inferno, Fresh Kill) e Fran Drescher (The Nanny, Um Conto Quase de Fadas), com participações de algumas pessoas famosas como o rapper Tyler the Creator, vivendo um amigo taxista de Marty, o silencioso e hábil jogador de tênis de mesa Koto Kawaguchi que interpreta basicamente ele mesmo, o investidor Kevin O’Leary , que é um dos antagonistas da trama e de verdade um dos destaques, e o famoso diretor Abel Ferrara (Vício Frenético, Rei de Nova York) que vive um gângster perigoso que busca o seu cachorro que foi basicamente roubado por Marty.

O final é digno do que o filme vendeu, com a partida final sendo épica e te deixando na ponta da cadeira o tempo todo. Existe também uma fala genial do personagem de O’Leary que é uma insanidade tão grande que você compra por ser esse filme (e quase repercutiu um final alternativo místico que honestamente é tão idiota que seria legal, uma pena que foi vetado pela A24).

“Marty Supreme” é um dos filmes mais eletrizantes de 2025 que, diferente do seu protagonista, consegue vender a sua grandeza. É refrescante poder ver um filme norte-americano com tanta personalidade, principalmente em um ano recheado de filmes incríveis de todas as partes do mundo. É uma experiência intensa que vale ser vista nas telas grandes.

Nota: 9

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