O episódio de, a série finalmente entrega o seu momento mais importante até aqui: a revelação de quem Egg realmente é, e isso muda completamente a leitura da jornada.

Até então, o personagem funcionava muito bem como o típico escudeiro esperto, curioso e até um pouco atrevido demais para alguém da própria condição. Porém, o episódio constrói essa virada com inteligência, sem quebrar o clima intimista da série. A revelação não vem como um grande espetáculo, mas como um choque silencioso — exatamente do jeito que a proposta da obra pede.

O impacto maior não está no “segredo” em si, mas em como ele ressignifica todas as atitudes de Egg nos episódios anteriores. A forma como ele fala, como observa os torneios, como demonstra um conhecimento que claramente não vem da estrada… tudo passa a fazer sentido. O roteiro acerta ao tratar essa identidade como um peso, e não como um privilégio.

A revelação de que Egg é, na verdade, Aegon Targaryen, traz um contraste muito interessante com o protagonista. Enquanto Dunk representa o homem comum tentando sobreviver e encontrar algum propósito, Egg carrega desde cedo um destino grande demais para o próprio tamanho. O episódio explora bem esse desequilíbrio: não é apenas um garoto viajando com um cavaleiro — é alguém tentando experimentar, ainda que por pouco tempo, uma vida normal antes de ser engolido pelo próprio nome.

Outro mérito do episódio é como essa informação não transforma Egg em um personagem arrogante ou distante. Pelo contrário. A série reforça sua fragilidade emocional, o medo de ser tratado de forma diferente e, principalmente, a necessidade quase desesperada de ser visto apenas como “Egg”. Isso cria uma camada dramática muito mais rica do que a simples revelação política.

A relação entre Dunk e Egg também ganha um novo peso. A partir desse ponto, o companheirismo deixa de ser só uma parceria de sobrevivência e passa a carregar uma responsabilidade silenciosa. Dunk não sabe — ou não entende completamente — o tamanho da história que está começando a atravessar, e essa ironia dramática é um dos pontos mais fortes do episódio.

No geral, o terceiro episódio se destaca menos pela ação e mais pelo impacto narrativo. A revelação de quem Egg é de verdade funciona como um divisor de águas para a série, elevando o nível da trama e deixando claro que, por trás dessa jornada simples de estrada, está sendo construída uma história que inevitavelmente vai tocar o futuro de Westeros.

NOTA: 8,5/10

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