2025 já passou (e eu estou uns dias atrasado pra variar), e vou continuara já tradicional lista de uma das minhas paixões da vida: quadrinhos. Sim, sou um grande apaixonado pela nona arte, gostando de todo e qualquer tipo de história em quadrinhos. Claro que o meu foco sempre foi mangás e super-heróis, mas cada vez mais tenho lido um pouco de coisas variadas!
Listei então as principais e melhores leituras que fiz no ano de 2025!
Antes de começar, só estabelecer algumas regras: 1) Esta lista segue a ordem do "pior para o melhor", 2) Os quadrinhos não são necessariamente publicações de 2025 ou que foram lançados aqui neste ano, são meramente coisas que eu li este ano pela primeira vez, 3) Releituras não entram na lista, já que o intuito é tentar indicar coisas novas para mim e experiências frescas, 4) Não são resenhas mega detalhadas ou com a intenção de esmiuçar cada obra, a finalidade é algo mais simples e descontraído.
Menções Honrosas:
Arqueiro Verde: Os Caçadores por Mike Grell (1987, DC Comics/Panini Comics), Chikan Otoko por Takuma Yokota (2004, Publicação Online), Pen Pal at the End of the World por Sekka Iwata e Kento Matsuura (2021, Shueisha), O Marido do Meu Irmão por Gengorou Tagame (2014, Futabasha/Panini Comics), Tokyo Alien Brothers por Keigo Shinzou (2015, Shogakukan), Rikudou por Toshimitsu Matsubara (2014, Shueisha), ES: Eternal Sabbath por Fuyumi Souryo (2001, Kodansha), Koisuru Kiseichuu por Sugaru Miaki e Yuuki Hotate (2018, Kadokawa Shoten) e Bartender por Araki Jou e Kenji Nagatomo (2004, Shueisha).
30. Akane-banashi, por Yuuki Suenaga e Takamasa Moue (2022)
Rakugo, uma forma tradicional de contar histórias, leva anos para qualquer aprendiz dominar e ascender ao posto mais alto de shinuchi. Desde que se lembra, Akane Ousaki sempre foi fascinada pelas apresentações de rakugo de seu pai, Tooru. Espiando por trás de uma porta de correr, ela passava horas observando e imitando seu trabalho. Para Tooru, a única coisa que o separava desse posto cobiçado era um teste de promoção diante de uma plateia e de um mestre de rakugo sênior, Issho Arakawa. Apesar de sua performance apaixonada, Tooru se vê expulso da escola de rakugo após o exame. Isso o faz desistir completamente do rakugo e se contentar com um emprego comum, partindo o coração de sua filha. Cheia de tristeza e raiva, Akane agora busca vingança contra o homem que se recusa a enxergar o gênio por trás do estilo de rakugo de seu pai. Ela implora ao antigo mestre de rakugo de Tooru, Shiguma Arakawa, que a tome sob sua proteção.
Um dos mangás queridinhos e populares da Shounen Jump, que inclusive ganhará uma adaptação em anime neste ano, eu obviamente entrei sabendo que era um mangá sobre Rakugo, uma arte japonesa qu embora eu conheça, não tenho nenhum conhecimento concreto ou até mesmo interesse.
Com essa informação (e acredito que todo mundo deve estar no mesmo barco), eu digo que isso não é um impedimento de ler ou gostar de "Akane-banashi". Os personagens são divertidos e a jornada de Akane é minimamente interessante para te fazer prosseguir na leitura, com as regras e detalhes do Rakugo sendo bem explicados ao ponto que qualquer leigo (como eu) entende com facilidade.
A história segue todos os clichês esperados, levando inclusive o mundo do Rakugo para algo semelhante ao que vemos nos shounens habituais, dentre os rankings, personagens espalhafatosos e até mesmo uma hiper valorização do Rakugo. Mas tudo isso deixa a história bem mais divertida de se acompanhar.
"Akane-banashi" tem um potencial enorme mas ainda peca em te fazer sentir algo durante os espetáculos de Rakugo ou pelos personagens em si. Existem grandes momentos e um interesse pela jornada de Akane, mas é algo que o autor ainda tem que trabalhar bastante nas próximas partes da história.
Akane-banashi é publicado no Japão pela Shueisha desde 2022. No Brasil, o mangá é atualmente publicado pela editora JBC, estando em catálogo
29. Smoking Behind the Supermarket with You, por Jinushi (Super no Ura de Yani Suu Futari, 2022)
A única coisa que Sasaki, um homem de meia-idade, consegue suportar em seu trabalho sufocante é o sorriso alegre de Yamada — a jovem que trabalha em um supermercado 24 horas próximo, que ele frequenta. Após cada dia exaustivo sendo repreendido pelo chefe, Sasaki passa na loja para ter seu espírito revigorado por sua caixa favorita. Depois de um dia particularmente difícil, Sasaki chega ao supermercado, apenas para descobrir que o turno de Yamada já terminou. Decepcionado, ele procura um lugar para fumar quando uma mulher atrás da loja o chama para se juntar a ela. A ousada e perigosamente brincalhona Tayama logo percebe o hábito peculiar de Sasaki de sempre procurar sua colega de trabalho — chegando ao ponto de contar a Yamada sobre o interesse amoroso de Sasaki por ela. Agora, além de ver sua adorada caixa Yamada, Sasaki também visita a loja para ver se sua nova parceira de fumo, Tayama, está por perto. Mas a malícia de Tayama esconde mais do que aparenta inicialmente. A cada cigarro, uma amizade improvável começa a florescer.
Outro mangá bem popular no meio cult (que vai ganhar uma adaptação em anime em breve então deve explodir de popularidade), esse foi um que escolhi após ouvir pessoas que confio muito recomendando com força nesses últimos anos.
As histórias são bem curtas e seguem essa formulinha básica das desventuras diárias dos dois e seus breves encontros para fumar, onde se conhecem mais e debatem as dificuldades da vida diária.
Não tem nenhum grande diferencial além do fato da dupla de protagonistas serem ótimos e bem relacionáveis, a parte cômica funciona e o ritmo é tão perfeitinho que dá pra ler tudo de uma tacada só.
Como muitos mangás do gênero, as vezes da a sensação de "tá, aonde essa história vai?" seguido de um cansaço pela repetição de situações. Mas é uma daquelas obras que te dá um quentinho no coração, uma pena que ela não chegou ao fim e não podemos ver a conclusão dessa história.
Smoking Behind the Supermarket with You é publicado no Japão de forma independente online desde 2022. O mangá no entanto continua inédito no Brasil.
28. Marvel 1985, por Mark Millar e Tommy Lee Edwards (2008)
Antes de INVASÃO SECRETA... antes de HULK CONTRA O MUNDO... antes de GUERRA CIVIL... Os supervilões mais poderosos do Universo Marvel reúnem seus poderes para semear o caos no único lugar onde jamais pisaram: SEU MUNDO! Enquanto os inimigos da humanidade abrem caminho para a destruição com ferocidade e crueldade sem precedentes, o destino do planeta repousa nas mãos de uma pessoa: Toby, um garoto de 13 anos que detém a chave para unir seus ídolos dos quadrinhos, os Heróis da Marvel!
Finalmente a Marvel figurando em uma destas listas, mas com um dos quadrinhos mais improváveis. Sou um grande fã do Quarteto Fantástico, a primeira Família da Marvel que tem incontáveis fases aclamadas nos quadrinhos. E acabei comprando em 2025 numa promoção excelente o omnibus do Quarteto escrito por Mark Millar (Guerra Civil, Velho Logan), um roteirista mais do que duvidoso mas que soube se vender e escreveu uma penca de gibis famosos (e alguns são realmente bons, diferente dessa fase do Quarteto).
A fase de Millar no Quarteto é mais fraca que o Superman depois de tomar um banho em uma piscina de kryptonita, mas isso não vêm ao caso. Me surpreendi ao ver que dentro desse grande encadernado estava junto uma minissérie que Millar escreveu em 2009 que, pra ser honesto, não tem relação nenhuma com o gibi do Quarteto.
Pra minha surpresa, é uma doce e singela homenagem aos grandes ícones do universo Marvel pelo olhar de um simples garoto, remetendo quase que à uma versão reversa de "História Sem Fim". O aspecto inicial de horror também é muito bacana, e o fato de ser uma criança vendo toda essa magia que ele sempre adorou ler nos quadrinhos transpor para o mundo real é um toque bem legal.
Não recomendaria comprar o omnibus só para ler essa minissérie, mas se tiver uma oportunidade de ler por outros meios ou edições, é uma recomendação bem segura para fãs da Marvel ou para quem quer ler um quadrinho de super-heróis simples sem qualquer bagagem.
Marvel 1985 foi publicado originalmente nos EUA em 6 edições pela Marvel Comics em 2008. No Brasil, o quadrinho foi publicado em 1 volume pela editora Panini Comics, atualmente disponível em catálogo.
27. Search and Destroy, por Atsushi Kaneko (2018)
Após a guerra, robôs conhecidos como Criaturas, antes produzidos em massa como operários e soldados, inundaram a cidade. Alguns foram para as ruas, outros para o submundo da sociedade, criando atritos com os cidadãos. Certa noite, uma garota que não é nem humana nem robô aparece diante de uma Criatura yakuza que havia sequestrado o órfão Doro. A garota, vestida com a pele de uma fera, ataca a Criatura furiosamente com armas poderosas acopladas aos seus membros. Quem é ela? Pelo que ela está lutando?
Uma clássica história de vingança, ambientada em um futuro distópico cyberpunk com robôs e muita violência. De primeira não parece nada original (e nem é), mas estaria mentindo se falasse que não é uma leitura extremamente divertida e visualmente impressionante, com uma arte maravilhosa de Atsushi Kaneko (Soil, Wet Moon).
Durante a leitura no entanto algo me incomodava um pouco. Sentia que já tinha visto essa mesma história, com as mesmas exatas batidas e sensações em algum lugar. Foi então que enquanto pesquisava um pouco, descobri que isso é uma adaptação de um dos mangás mais conhecidos de Osamu Tezuka (Astro Boy, Buda), o Deus do mangá: "Dororo".
Com personagens fascinantes, um mundo rico e cenas que vão te trazer impacto, não inova em nada, mas é uma leitura rápida, engajante e pra quem procura uma boa ficção-científica com pitadas de Kill Bill.
Search and Destroy foi publicado originalmente no Japão em 3 volumes pela Tezucomi em 2018. O mangá no entanto continua inédito no Brasil.
26. Cat Street, por Yoko Kamio (2004)
A carreira de Keito Aoyama, ex-atriz mirim famosa, foi interrompida precocemente devido a uma atuação ruim em um musical diante de uma grande plateia. Agora, uma garota reclusa de 16 anos que se recusa a frequentar o ensino médio, ela considera sua vida cotidiana sem sentido. No entanto, um dia, Keito descobre uma escola incomum chamada El Liston, onde qualquer aluno pode se matricular por qualquer motivo. Vendo isso como uma nova oportunidade para superar seu passado, ela decide entrar. Lá, ela conhece e faz amizade com um grupo de alunos, cada um com seus próprios talentos: Kouichi Mine, um programador genial sempre absorto em tecnologia; Rei Saeki, um ex-jogador de futebol famoso; e Momiji Noda, que aspira a se tornar estilista. À medida que Keito se aproxima de seus novos amigos, sua vida começa a ganhar vida novamente. Sua experiência em El Liston a preenche de felicidade e desperta nela um desejo de voltar aos holofotes. Ao longo do caminho, seu interesse por romance também começa a se desenvolver.
“Eu acho que nunca esquecerei esta noite… A noite que pela primeira vez, eu chorei de verdade”
Dentre as minhas tentativa anuais de ler mais shoujos e romances, acabo de vez em quando me deparando com uma pérola, e "Cat Street" é uma dessas brilhantes pérolas. Uma história simples de uma garota que perdeu a fé na vida e nas pessoas, que encontra esperança após conhecer um grupo de pessoas também rejeitas que se ajudam. Eu sei, extremamente clichê e piegas, mas funciona que é uma maravilha.
O que mais me chamou a atenção na leitura é a forma como o mangá retrata as emoções humanas. O medo, a empatia, a felicidade, a tristeza. Tudo aqui é bem forte e real, refletindo nos personagens que passam por problemas e dilemas que todo mundo já passou ou vai passar.
A parte do romance (na maior parte) funciona pelo simples fato de eu me importar com esses personagens e até em determinado momento torcer para um casal acontecer. Isso é uma prova de que realmente a autora teve êxito nisso.
Ele infelizmente acaba caindo em alguns tropos de romances mal ajambrados que necessitam estar nesse tipo de história aparentemente, coisas que poderiam ser resolvidas com um simples diálogo ou se as pessoas agissem como... pessoas. Mas é um pequeno detalhes em uma história muito bem montada, agradável e que apesar de não ser exatamente cura, você lê em uma tacada.
Cat Street foi publicado originalmente no Japão em 8 volumes pela Shueisha em 2004. O mangá no entanto continua inédito no Brasil.
25. Nora to Zassou, por Keigo Shinzo (2018)
Após a morte de sua filha, o inspetor assistente Hajime Yamada perdeu a esperança em tudo, e trabalhos como desmantelar redes de prostituição infantil não ajudam em nada. Mas lá ele conhece uma garota que se parece assustadoramente com sua falecida filha. Seu nome é Shiori Umino, uma fugitiva de casa desesperada o suficiente para se prostituir, mas que se recusa a contar a alguém o motivo.
Sendo bem honesto, está é uma leitura que fiz bem no início de 2025, e por isso nem todos os detalhes estão claros na minha mente. Precisei dar uma "folheada" nos volumes para relembrar algumas coisas, mas era impossível não recordar do impacto do tipo de história que é "Nora to Zassou".
Lidar com prostituição infantil é de longe um dos temas mais espinhosos possíveis, e o mangá de Keigo Shinzo (Hirayasumi, Tokyo Alien Brothers) não precisa mostrar o ato para escancarar a brutalidade e terror que envolve os envolvidos nesses casos. O seu segundo mangá à fazer sucesso, o ponto forte é o relacionamento complexo entre a dupla de protagonistas, um homem de quase meia idade e uma criança que perderam suas perspectivas da vida, o laço que criam que permitem alcançar uma espécie de felicidade momentânea.
O final é ligeiramente corajoso, por não tentar criar algo romantizado e/ou fora da realidade. É triste, melancólico e com um pouquinho de esperança. Não diria que é uma leitura agradável devido ao tema, mas é uma boa porta de entrada para este que é um dos magaká mais promissores da atualidade.
Nora to Zassou foi publicado originalmente no Japão em 4 volumes pela Kodansha em 2018. O mangá no entanto continua inédito no Brasil.
24. A Menina do Outro Lado, por Nagabe (Totsukuni no Shoujo, 2015)
Há muito tempo, existiam um deus da luz e um deus das trevas. Enquanto os devotos do deus da luz experimentavam felicidade e boa sorte, o deus das trevas pregava peças nas pessoas e roubava sua alegria. Então, como conta a lenda, o deus da luz decidiu puni-lo transformando-o em um monstro. Enfurecido, o deus das trevas usou sua punição como uma maldição para infligir sofrimento aos outros. Por causa de seus atos, ele foi banido para o Exterior, onde ele e seus filhos monstruosos devem permanecer pela eternidade, enquanto aqueles do Interior jamais devem entrar em contato com alguém do Exterior, sob pena de serem amaldiçoados com uma forma oculta. Uma garotinha chamada Shiva, do Interior, é encontrada por um Forasteiro que ela passa a conhecer como Sensei. Embora não possam se tocar, Sensei cuida de Shiva da melhor maneira possível, e juntos eles vivem uma vida razoavelmente feliz. Mas logo, Shiva se vê em perigo não só do Exterior, mas também de sua própria espécie.
Uma fábula que embora comece com uma premissa "simples", de uma criatura não humana criando uma garotinha em uma cidade abandonada, evolui para algo maior.
O trabalho de personagens da dupla principal é bem batido mas fofo, não tem como não gostar dos protagonistas e se interessar pelo que estão fazendo, desde as conversas minimalistas até as profundas.
As pequenas coisas da vida como brincar ao ar livre, assar uma torta, ler um livro ou simplesmente observar a natureza ganham um outro nível de importância para a dupla de protagonistas. É claro que o perigo ronda constantemente os dois, e quando ele chega, existe um real temor pelas suas vidas.
O maior problema no entanto é (pra variar) o final, em que o autor se complica tentando responder muitas perguntas e amarrar toda a lore e plots que deixou germinando ao longo da história, com o que realmente fazia o mangá ser tão cativante jogado de escanteio e no geral confuso.
Não é nada excepcional ou algo do tipo, mas é uma leitura extremamente surpreendente que conta com uma arte única e bem linda, dando o tem de fofura, terror e fantasia que a obra passa.
A Menina do Outro Lado foi publicado originalmente no Japão em 11 volumes pela Mag Garden em 2020. No Brasil, o quadrinho foi publicado em 11 volume pela editora Devir, atualmente disponível em catálogo.
23. Be Blues!, por Motoyuki Tanaka (2011)
Ryuu Ichijou é um garoto que sonha em entrar para a seleção japonesa de futebol. Considerado um gênio do futebol, seus sonhos parecem estar ao seu alcance, mas, ainda no ensino fundamental, ele é atropelado por um carro ao proteger um amigo e precisa enfrentar dois anos de árdua reabilitação. A história acompanha Ryuu enquanto ele se junta ao clube de futebol do ensino médio e supera as sequelas de seu trauma para alcançar seu objetivo.
Quem leu o meu texto de melhores leituras de 2024 viu que eu deixei bem claro que mesmo detestando esportes e não acompanhando nada, sou apaixonado por mangás de esportes. Então já fica avisado que todo ano vai figurar alguns nestes textos.
"Be Blues!" é a clássica receita de mangá de esporte, não tem absolutamente nenhum diferencial da maioria do gênero. O único diferencial é que o protagonista começa a história já como o melhor de todos, mas o trágico acidente o faz retroceder anos.
O início foi... difícil. A cada capítulo eu pensava em desistir de tão genérico e sem graça que os personagens e a história eram. Mas a insistência (motivada pelo tamanho já que era impossível um mangá tão ruim assim ter mais de 400 capítulos publicados) me fez prosseguir e realmente, merece todo o sucesso que alcançou.
Como eu disse, ele segue tudo que já foi feito com o gênero, mas ao longo da história, o autor vai evoluindo com os seus personagens e vai fazendo jogos e momentos emocionantes que te deixam na ponta dos pés de tão ansioso que você fica para virar a próxima página. Os personagens conseguem criar carisma e a jornada de Ryuu para se recuperar até voltar a ser um grande jogador é incrível. O jogo final é emocionante, mas o capítulo final, que ressignifica algumas jornadas te faz ter vontade de ler um outro mangá focado em outro personagem na hora. Uma prova de que a insistência pode recompensar as vezes.
Be Blues! foi publicado originalmente no Japão em 49 volumes pela Shogakukan em 2011. No Brasil, o quadrinho segue inédito.
22. Orbe: Sobre Os Movimentos Da Terra, por Uoto (Chi. Chikyuu no Undou ni Tsuite, 2020)
Na Europa do século XV, hereges são queimados na fogueira. Rafal, um jovem brilhante, tem a expectativa de ingressar na universidade ainda jovem para estudar a área mais importante da época: teologia. Mas Rafal valoriza a Razão acima de tudo, o que o leva à chocante conclusão de que a Terra orbita o Sol e, por sua vez, às mãos da Inquisição!
Quando você acha que viu de tudo, encontra um mangá sobre a luta do heliocentrismo contra o geocenrtismo, que debate questões como fé vs. razão vs. radicalismo.
Não tem como falar desse mangá sem dar o pequeno spoiler do final do segundo ou terceiro capítulo: a morte do até então protagonista. Quando isso acontece e a história mostra que o real protagonista dessa trama não são as pessoas, e sim as ideias e vontades que elas carregam tornou o mangá bem único.
Um ponto que realmente fico dividido é a arte. Não que ela seja ruim, mas em alguns momentos os rostos ou a forma que o autor desenha as pessoas me tira bastante da história, embora ele seja ótimo em criar grandes painéis chocantes e que conseguem passar o sentimento de imensidão.
O final no entanto é... estranho. Quer dizer, o autor amarra tudo lindamente e cria um desfecho perfeito, mas os capítulos finais são confusos por causa de uma decisão criativa que ele toma. Isso não estraga o mangá e até adiciona muito mais camadas no tema que seria a radicalização de um ideal, mas deixa tudo bem confuso e todo mundo que leu teve que procurar algum significado ou interpretação diferente na internet (o que parando pra pensar, pode ser uma coisa boa).
Orbe: Sobre Os Movimentos Da Terra foi publicado originalmente no Japão em 8 volumes pela Shogakukan em 2020. No Brasil, o quadrinho foi publicado em 8 volume pela editora Panini Comcis, atualmente disponível em catálogo.
21. Batman, por Paul Dini (2006)
Paul Dini teve uma carreira magnífica e incrivelmente bem-sucedida escrevendo histórias do Batman, tanto para a televisão quando nos quadrinhos. Agora, seu trabalho lendário é compilado pela primeira vez em versão omnibus! Mulher-Gato, Pinguim, Silêncio, Ra’s Al Ghul… todos os maiores personagens do universo do Homem-Morcego marcam presença em uma das comprovadamente melhores épocas de toda da DC!
E não podia faltar o melhor e maior personagem dos quadrinhos nessa lista (e não, não li o Absolute Batman por isso ele não vai estar nessa lista, quem sabe ele não figura na lista de 2026 :P).
Paul Dini (Batman: A Serie Animada, Liga da Justiça Sem Limites) é um génio dos roteiros que fez histórias nas animações e os quadrinhos da DC. E nesse grande omnibus reúne os seus principais trabalhos nas revistas mensais do Batman, incluindo a sua mestral fase na "Detective Comics" onde ele se reuniu com grandes artistas para mais uma vez mostrar como se faz grandes histórias com o Batman.
Dentre os destaques da fase é a forma como Dini e os artistas trabalharam muito bem os vilões do homem-morcego. O conceito de transformar o Charada em um detetive particular que ajuda o Batman a resolver casos é brilhante e dá pano pra vários momentos surreais de bons. A história de uma edição que é apenas o Robin (Tim Drake) preso em um carro com o Coringa, completamente insano matando e atropelando pessoas nas ruas de Gotham é mais um caso de como Dini utiliza edições avulsas para trabalhar esses personagens como poucos. Sem falar que ele escreve "O Coração do Silêncio", uma grande história do Batman que finalmente faz algo bom com um vilão merda que é o Silêncio (que até então só protagonizou histórias lixosas). ELE ATÉ DÁ UM SENTIDO PARA O SILÊNCIO, O HOMEM APLICA MILAGRES NA NOSSA CARA E NINGUÉM FALA NADA!!
Não é a melhor coisa já feita com o Batman ou algo fácil de comprar (mas as promoções tão aí, e isso ajuda muito como no meu caso), mas é uma excelente porta de entrada para quem quer começar a ler as histórias do personagem (ou apenas quer ler algo realmente bom de super-heróis).
Batman, por Paul Dini foi publicado originalmente nos EUA em 40 edições pela DC Comics em 2006. No Brasil, o quadrinho foi publicado em 1 volume pela editora Panini Comics, atualmente disponível em catálogo.
20. Zoo no Inverno, por Jiro Taniguchi (Fuyu no Doubutsuen, 2005)
É o ano de 1966. Hamaguchi, um jovem, chega a Kyoto, onde encontra trabalho em uma pequena fábrica têxtil. Em seu tempo livre, ele vai ao zoológico local para desenhar animais. Sua vida tranquila é interrompida um dia pela filha do dono da empresa. Por causa disso, quando um amigo lhe fala de uma oferta de emprego em Tóquio, Hamaguchi decide aceitar imediatamente. Na capital, ele aprende a arte de desenhar mangá.
A vida retratada pela arte de Jiro Taniguchi (O Gourmet Solitário, O Homem Que Passeia) é bela e melancólica ao mesmo tempo. Aqui ele retrata a juventude de um homem que está perdido no mundo tentando se encontrar, vagando de empregos diferentes, sofrendo desilusões amorosas e mudando de cidades.
Características das obras de Taniguchi estão presentes aqui. A natureza, a contemplação das pequenas ações e do tempo, as tomadas de decisões que parecem simples mas afetam as vidas completamente.
Taniguchi é um mestre absoluto dos mangás (e vai figurar nessa lista novamente mais pra frente), e nem todas as suas obras são para mim ou para todos. Mas "Zoo no Inverno" foi uma leitura agradável com toques humanos de melancolia na medida certa que deixam um impacto.
Zoo no Inverno foi publicado originalmente no Japão em 1 volume pela Shogakukan em 2005. No Brasil, o quadrinho foi publicado em 1 volume pela editora Devir, atualmente disponível em catálogo.
19. One Piece, por Eiichiro Oda (1997)
Gol D. Roger, um homem conhecido como o Rei dos Piratas, está prestes a ser executado pelo Governo Mundial. Mas pouco antes de sua morte, ele confirma a existência de um grande tesouro, One Piece, localizado em algum lugar dentro do vasto oceano conhecido como Grand Line. Anunciando que One Piece pode ser reivindicado por qualquer um digno o suficiente para alcançá-lo, o Rei dos Piratas é executado e a Grande Era dos Piratas começa. Vinte e dois anos depois, um jovem chamado Monkey D. Luffy está pronto para embarcar em sua própria aventura, procurando por One Piece e se esforçando para se tornar o novo Rei dos Piratas. Armado apenas com um chapéu de palha, um pequeno barco e um corpo elástico, ele parte em uma jornada fantástica para reunir sua própria tripulação e um navio digno que os levará através da Grand Line para reivindicar o maior status em alto mar.
Não podia faltar, não é mesmo? Depois do excelente arco de Egghead (que curiosamente terminou de ser adaptado agora no anime), estamos enfim na saga final de One Piece. 2025 no mangá de Eiichiro Oda foi basicamente os primeiros 2/3 de Elbaf, a tão sonhada ilha dos gigantes que nos trouxe muitas revelações da lore e mundo da obra.
A narrativa de Oda continua caótica e poluída, mas tem seu charme rotineiro. Fomos enfim introduzidos aos Cavaleiros Divinos (ou sei lá como são chamados realmente), um pouco mais do passado de Shanks, Loki e seu trágico passado a lá One Piece, e é claro, o tão sonhado flashback mostrando os piratas Rocks e God Valley, um evento crucial que ocorreu no passado.
Sem dar muitos spoilers, mas foi um ano bem proveitoso para a obra, apresentando personagens que já estão entre os favoritos dos fãs (Rocks e Loki), mostrando a juventude e grandes lendas que muitos queriam ver, expandindo mais da mitologia de One Piece e lugares esperados como Elbaf. Vamos ver o que Oda nos guarda para 2026, com o final de Elbaf e rumo ao próximo capítulo do final de One Piece.
One Piece é publicado no Japão pela Shueisha desde 1997. No Brasil, o mangá, com mais de 100 volumes, é publicado atualmente pela editora Panini Comics, estando ainda em catálogo.
18. Basara, por Yumi Tamura (1990)
No final do século XXI, uma grande catástrofe devasta o Japão, deixando suas terras irreconhecíveis e interrompendo o progresso da civilização. Nos dias atuais, o imperador e seus quatro filhos governam o país com mão de ferro. Diz-se que apenas a profetizada "Criança do Destino" pode libertar o Japão das amarras da família real. Sarasa é a irmã gêmea de Tatara, a Criança do Destino. Apesar de ter que viver à sombra do irmão, Sarasa o apoia de todas as maneiras possíveis. No entanto, a tragédia acontece quando o Rei Vermelho, o filho mais novo do imperador, e seu exército atacam sua vila, resultando na morte brutal de Tatara. Para proteger os moradores, Sarasa assume o nome do irmão e se torna a Criança do Destino, jurando vingança contra o Rei Vermelho. Com a repentina reviravolta dos acontecimentos afetando sua saúde, Sarasa visita uma fonte termal para se recuperar. Durante sua estadia, ela conhece Shuri, um jovem charmoso e misterioso. Shuri fica fascinado por Sarasa, pois ela o trata de forma diferente das outras garotas; Enquanto isso, Sarasa não consegue parar de pensar nele. Esse encontro fortuito entre os dois sela o destino deles — destinados a ficarem unidos pela guerra, pelo ódio e pelo amor.
“Sarasa, mesmo que você sinta que o destino está brincando com você, o destino é algo que você constrói com suas próprias mãos.”
"Basara" é um épico. É um grande clássico escrito por Yumi Tamura (7 Seeds) que veio pra redefinir os shoujos.
Destino é o grande tema do mangá, e se você vai aceitar ou não ele. Sarasa, a protagonista, tem que escolher constantemente se ela quer seguir o novo destino imposta a ela de se tornar Tatara e ser a "Criança do Destino" para salvar o seu povo, ou se ela simplesmente quer ser Sarasa e ser feliz ao lado do homem que ama.
Os personagens no geral não são tão interessantes e o universo é pouco explorado e construído, mas o core principal de protagonistas e antagonistas carregam a história com força.
Sarasa é uma protagonista que sustenta a história e convence como heroína, enquanto Shuri as vezes um pouco confuso é o excelente contraponto e soma à ela. O relacionamento novelesco dos dois é divertido de acompanhar e a sensação de "vai dar merda" quando eles descobrirem suas verdadeiras identidades é o mais puro suco do entretenimento.
As vezes um pouco maçante e mais longo do que deveria ser, não tem como você ser um fã de mangás (ou grandes histórias) e não ler "Basara". É um clássico que mostra o grande leque que os shoujos possuem e o fim te dá a sensação de satisfação que poucas obras conseguem ter.
Basara foi publicado originalmente no Japão em 27 volumes pela Shogakukan em 1990. No Brasil, o quadrinho segue inédito.
17. Journal with Witch, por Tomoko Yamashita (Ikoku Nikki, 2017)
Makio Koudai, uma romancista de 35 anos, nunca teve um bom relacionamento com sua irmã mais velha, Minori, que sempre a repreendia por ser diferente. Por isso, Makio não se comove profundamente ao saber da morte de Minori e seu marido em um acidente de carro. Mas, ao ser chamada para identificar os corpos, Makio reencontra sua sobrinha de 15 anos, Asa Takumi, a quem não via há anos. Lutando para lidar com a morte dos pais, Makio tranquiliza Asa, dizendo que seus sentimentos complexos são válidos e sugerindo que a adolescente comece a escrever um diário como forma de superar a perda. Ao descobrir que nenhum outro parente queria acolher Asa, Makio decide se tornar sua guardiã, apesar de sua inexperiência. Em um mundo cheio de incertezas, a romancista e a adolescente precisam aprender a conviver enquanto descobrem a si mesmas.
Um excelente drama sobre comunicação. Duas pessoas da mesma família que são iguais e diferentes ao mesmo tempo. Um choque de gerações, envolvendo traumas e sentimentos que se relacionam à mesma pessoa, e duas pessoas tentando se entender e se amar.
Makio é uma das personagens mais fantásticas de 2025 pra mim, absolutamente tudo que envolve ela, sau personalidade, maneira de pensar e relacionamentos únicos (sejam com as amigas, Asa ou até mesmo ex-namorados) é fascinante. E os dramas de Asa também são extremamente relacionáveis, até os momentos de "adolescente chata" são convincentes.
Outro aspecto bem fascinante é a forma como a autora lida com o luto e a busca por informação de alguém que você nunca conheceu bem. Um dos grandes dilemas de Asa durante a história é saber se seu pai a amava, e como ele realmente era, já que sempre foi um homem calado e reservado. E a melhor parte disso é que no decorrer da história, ela não consegue obter essa informação, já que a natureza dele o impedia de partilhar informações com todos a sua volta. Um pequeno detalhe do fim do mangá mas que traz esse toque especial para o que a autora quer dizer no fim das contas.
Vai ganhar um anime que provavelmente já estreou quando você estiver lendo isso, não posso atestar a qualidade dele (e nem quero) mas de qualquer forma esse aqui é uma forte recomendação para quem busca um drama de primeira.
Journal with Witch foi publicado originalmente no Japão em 11 volumes pela Shodensha em 2017. No Brasil, o quadrinho segue inédito.
16. Hitman, por Garth Ennis e John McCrea (1996)
Tommy Monaghan é um assassino de aliguel e um lugar como Gotham City oferece a ele inúmeras oportunidades de emprego! Mas mesmo que aceite apenas contratos de criminosos, ele inevitavelmente terá que chegar a um acordo com um certo Cavaleiro das Trevas ... e será apenas o início de sua desventuras!
Sou um apaixonado por Garth Ennis (Preacher, The Boys), que apesar de um trabalho irregular, escreveu alguns dos quadrinhos da minha vida como "Preacher", "Hellblazer" e "Justiceiro". E embora "Hitman" não esteja nesse patamar, é sem duvidas uma jornada memorável.
Existem três tipos de Ennis: Aqueles gibis sérios que tratam de temas relevantes e de forma aprofundada, os gibis que são o maior suco da podreira, escatologia e bizarrices, e aqueles que mesclam esses dois. Não diria que "Hitman" se encaixa na terceira categoria, mas tem sim seus momentos filosóficos e emocionais (vide a excelente edição em que ele encontra o Superman).
Tommy Monaghan é um personagem divertidíssimo que tá sempre causando confusões com o seu excêntrico grupo de amigos beberrões, e apesar de aparecer bem pouco em outras histórias do universo DC (e por motivos entendíveis), é sem dúvidas um dos personagens mais legais desse universo. Pra quem quer uma boa (e maluca) história de super-heróis com começo, meio e fim, essa é a pedida. E mais uma grande lacuna no meu currículo de DCnauta preenchida.
Hitman foi publicado originalmente nos EUA em 60 edições pela DC Comics em 1996. No Brasil, o quadrinho foi publicado em 4 volumes pela editora Panini Comics, atualmente disponível em catálogo.
15. Blue Giant, por Shinichi Izhizuka (2013)
À primeira vista, Dai Miyamoto é um estudante do ensino médio comum — exceto por sua mentalidade otimista e determinação em dar o seu melhor, não importa o desafio. Ele encara cada obstáculo com a crença de que o sucesso está sempre ao seu alcance. Apresentado ao jazz por um amigo, Dai fica imediatamente cativado por sua intensidade. Embora poucos ao seu redor compreendam a profundidade de sua nova paixão, ele se dedica de corpo e alma a praticar saxofone todos os dias. À medida que as pessoas ao seu redor começam a apoiar seu sonho, Dai se dedica a dominar o jazz com um único objetivo em mente: tornar-se o maior músico de jazz do mundo.
A paixão é algo inexplicável. A história segue um jovem que encontra uma paixão única em algo improvável, que muda a sua vida completamente ao longo dos anos.
Esse mangá na realidade é a primeira parte de uma série que narra a vida de Dai Miyamoto, e ela pega a sua adolescência e os primeiros anos da vida adulta, terminando com ele tomando a decisão de ir para os EUA tentar ganhar a vida lá como músico.
Mangás musicais são sempre desafiadores pois o autor tem que vender a parte sonora em uma mídia que bem... não tem som. E desde a primeira página dupla, o mangá vende o talento e escopo do sonho do protagonista.
Ainda não li as outras partes, visto que o mangá está na sua quarta ou quinta parte, mas é uma bela história de amadurecimento com uma arte fenomenal que tem tudo pra se tornar um grande clássico quando o autor encerrar a obra.
Blue Giant foi publicado originalmente no Japão em 10 volumes pela Shogakukan em 2009. No Brasil, o quadrinho segue inédito.
14. Memórias de Emanon, por Shinji Kajio e Kenji Tsuruta (Omoide Emanon, 2006)
No inverno de 1967, um jovem de 20 anos retorna de viagem a bordo de uma balsa, onde um encontro fortuito altera para sempre sua percepção do mundo ao seu redor. Enquanto relaxa na cabine, ele é abordado por uma bela e enigmática jovem que se apresenta como Emanon; mais tarde naquela noite, os dois jantam juntos. Após ver o homem lendo um romance de ficção científica, Emanon se oferece para contar sua história de vida, dizendo que ele não precisa acreditar nela, a menos que queira. E para surpresa do homem, ela o informa que sua memória remonta a mais de três bilhões de anos, ao exato momento em que a vida surgiu na Terra.
Esse é um daqueles que estava à anos no meu radar, e por ser bem curto, finalmente dei a vez.
"Omoide Emanon" narra a extraordinária história de uma jovem que serve como testemunha do planeta, herdeira de uma memória genética transmitida por sua linhagem materna desde o início da própria vida. Isso por si só é um conceito bem único que rende boas conversas entre a dupla de protagonistas e reflexões sobre a vida e o tempo, tudo isso com uma arte fantástica de Tsuruta que dessa lista é sem dúvidas um dos melhores desenhistas.
Não tenho como não falar da decepção de ler a continuação, que continua a adaptar os outros livros/contos, e apesar de expandir essa mitologia e criar histórias tão boas, acaba abruptamente já que o mangaká não quis continuar a adaptar a obra original. De qualquer forma, uma breve mais super fascinante leitura.
Memórias de Emanon foi publicado originalmente no Japão em 1 volume pela Tokuma Shoten em 2006. No Brasil, o quadrinho será publicado em 1 volume pela editora New Pop.
13. Ao Ashi - Craques da Bola, por Yuugo Kobayashi e Naohiko Ueno (Ao Ashi, 2015)
Rumo ao cenário mundial! Glória e ambição aguardam o jovem Ashito Aoi enquanto ele dá os primeiros passos para se tornar um jogador de futebol profissional. Mas, após ser catapultado para um novo ambiente hostil, será que ele conseguirá se agarrar ao seu fio de aranha e chegar ao topo? Um encontro predestinado na Praia de Futami, em Ehime, Japão, leva ao encontro de Fukuda Tatsuya, outrora uma estrela em ascensão e um jogador prestes a alcançar a grandeza, cuja carreira terminou cedo demais, e Aoi Ashito, um atacante impetuoso e impulsivo que ama futebol apesar de suas tendências egoístas. Após ser selecionado para um teste no clube juvenil Tokyo City Esperion, Ashito Aoi aposta seu futuro na chance de construir uma vida melhor para sua mãe solteira e seu irmão mais velho, enquanto reconhece suas próprias limitações e lida com o mundo altamente competitivo do futebol juvenil japonês.
Vejam só, mais um mangá de esportes (e também de futebol)! Esse é um mangá que acompanho faz mais ou menos uns três anos e já é o meu mangá de futebol favorito. Mesmo não gostando do esporte, "Ao Ashi" destaca um lado fascinante do esporte que é o ângulo estratégico. Enquanto lia, pensei diversas vezes de como alguém que realmente ama o esporte iria se apaixonar por esta parte técnica.
Não estou julgando necessariamente a obra inteira, já que li apenas os capítulos finais que foram lançados em 2025, destacando o jogo final emocionante contra o Barcelona. E o final, consegue entregar tudo e encerrar a jornada destes personagens incríveis de forma mais que satisfatória.
Quem ainda tem preconceito com esse tipo de mangá ou história, "Ao Ashi" é uma excelente porta de entrada, já que fica claro que vai muito além do esporte em si. É uma história de personagens que aprecem reais, tem sonhos, motivações, personalidade e garra para perseguirem seus sonhos. Você torce por eles, torce pelo relacionamento romântico do protagonista, seu crescimento e relação com a família. É um mangá sobre não só o futebol escolar, mas sim de uma pessoa que almeja se tornar um profissional.
Ao Ashi - Craques da Bola foi publicado originalmente no Japão em 40 volumes pela Shogakukan em 2015. No Brasil, o quadrinho é publicado pela editora JBC, atualmente disponível em catálogo.
12. Watashitachi no Shiawase na Jikan, por Sumomo Yumeka (2008)
Eles queriam morrer por motivos próprios. Juri Mutou é filha de uma pianista outrora famosa, cuja carreira chegou ao fim após seu nascimento. Após um evento traumático na adolescência, Juri tentou suicídio três vezes e passou a odiar a mãe. Com a vida obscurecida por um passado sombrio, sua tia Monica, uma freira, a convida para visitar um condenado à morte. Yuu é um presidiário no corredor da morte, acusado de assassinar três pessoas, e tenta tirar a própria vida diversas vezes em sua cela. Ele recebe cartas frequentes de Monica, que espera ajudá-lo, mas vê isso como um ato de pena. Porém, quando Yuu decide encontrar Monica para pedir que ela pare de enviar cartas, ele se depara com Juri, um encontro que mudaria a vida de ambos.
Somos rapidamente apresentados a protagonista, Juri, uma garota que quer morrer e, apesar da vida privilegiada e talento aparente, no fundo é infeliz por um motivo revelado apenas na metade da história. Quando sua tia, uma freira, em uma tentativa de ajuda-la, lhe apresenta a um garoto, chamado Yuu, que está no corredor da morte por assassinato, a quem ela vêm tentando ajudar com seu trabalho como freira.
O restante do mangá desvenda o passado trágico de Juri e Yuu, e começamos a descobrir por que eles agem (ou agiam) como agem. Embora inicialmente fosse Juri quem deveria ajudar Yuu, ele retribui o favor, gentilmente permitindo que ela perceba a beleza do mundo e da própria vida. É uma história emocionante que não só explora o passado de ambos os personagens, como também traz a contribuição característica do passado para o presente, a fim de resolver os conflitos atuais de cada um, resultando em uma narrativa maravilhosamente construída que se completa de forma perfeita no final.
Um mangá curtíssimo mas extremamente que vc lê em 30 minutos que não vai mudar o mundo ou a sua vida, apenas entregar uma bela história que cumpre com a finalidade.
Watashitachi no Shiawase na Jikan foi publicado originalmente no Japão em 1 volume pela Shinchosha em 2008. No Brasil, o quadrinho segue inédito.
11. As Flores do Mal, por Shuuzou Oshimi (Aku no Hana, 2009)
Takao Kasuga é um estudante antissocial do ensino fundamental que nutre uma paixão por livros — em particular, por "As Flores do Mal", de Charles Baudelaire. Ele também é apaixonado pela ídolo da sua classe, a doce Nanako Saeki. Em contraste gritante com ela, Sawa Nakamura é uma garota insolente e desagradável que não se importa nem um pouco com a escola. Um dia, Takao esquece de levar seu livro para casa. Ele volta para a escola para buscá-lo, mas é interrompido ao encontrar as roupas de ginástica recém-usadas de Nanako jogadas no chão. Um desejo estranho consome Takao e, como um pervertido, ele as rouba. Com a culpa do seu crime pesando sobre ele, Takao tenta ao máximo levar uma vida normal. Sawa, no entanto, que testemunhou o roubo de Takao, tem outros planos para ele...
Tá, mais um grande clássico queridinho das pessoas que eu nunca tinha lido. Adoro a maioria dos mangás de Shuuzou Oshimi (Inside Marie, Blood on the Tracks), e "As Flores do Mal" se tornou a sua grande obra, ganhando adaptações para outras mídias e publicado no mundo todo.
A busca pelo normal e o desespero de não se encaixar na sociedade. Dois jovens que estão tentando se encaixar e fugir da realidade, respectivamente, entram em colisão e acabam encontrando uma forma doentia e perigosa de se entenderem e fugirem de tudo. A cada página a trama ia ficando mais rocambolesca (no bom sentido) e eu não conseguia prever o que ia acontecer ou o que os personagens estavam realmente pensando, tudo isso no ritmo frenético do Oshimi.
Temos a clássica quebra do autor fazendo um timeskip inesperado e nos jogando no futuro dos personagens sem saber direito do que está acontecendo. Gosto muito mais da segunda parte onde o autor foca 100% no protagonista, suas angústias e como ele está querendo se recuperar de tudo que aconteceu na infância. Tudo isso enquanto a presença de Nakamura está sempre à espreita.
Diferentemente de outras obras, não gosto como o autor basicamente encerra a história três vezes e no fim a trama não chega em um ponto necessariamente instigante ou que me deixou com algum sentimento fora a indiferença, ao contrário do resto da história que eu não conseguia parar de ler de tão interessante que tudo era.
Tá longe de ser o meu Oshimi favorito, mas assim como todos os mangás do autor (até os horríveis) é uma leitura densa que fica com você por meses.
As Flores do Mal foi publicado originalmente no Japão em 11 volumes pela Kodansha em 2009. No Brasil, o quadrinho foi publicado em 11 volumes pela editora New Pop, atualmente disponível em catálogo.
10. Blank Canvas: My So-Called Artist's Journey, por Akiko Higashimura (Kakukaku Shikajika, 2011)
Akiko Hayashi tem sonhos ambiciosos, porém estranhamente específicos: fazer uma estreia de sucesso como mangaká ainda na escola, ter seu ator favorito estrelando sua adaptação e acabar se casando com ele. No entanto, ela está longe de ter a motivação ou as habilidades necessárias para realizar esses sonhos. Quando uma amiga a apresenta a uma aula de arte não convencional, em um beco escuro, ministrada pelo autoritário Kenzou Hidaka, chamado simplesmente de "sensei", Akiko decide se inscrever, esperando uma aula fácil e uma melhora automática em suas habilidades artísticas. Para sua decepção, o que ela encontra é algo completamente diferente: um professor duro, exigente e intransigente, sem o menor interesse em mangá. Mas quando Akiko aceita o desafio de uma rotina intensa proposto pelo Sensei, ela percebe o quanto ele se importa com seus alunos e cria um forte laço com ele. Com a orientação do Sensei, Akiko aprende o que é necessário para se tornar uma mangaká de sucesso, bem como o que significa ser adulta.
Biografias são sempre complicadas, já que elas tendem à endeusar a figura retratada ou dar aquela passada de pano nos erros cometidos. Autobiografias então são uma faca de dois gumes, e é de uma forma feliz que eu digo que este mangá, uma autobiografia da autora Akiko Higashimura (Kuragehime) não comete esses erros.
É aquele grande ditado clássico que a gente só dá valor para as coisas que temos quando as perdemos. Este mangá é uma grande homenagem, carta de amor e arrependimento de uma garota para o seu professor, que apesar de seu jeito... peculiar, era uma pessoa incrível que ajudou ela em seu momento definidor. E apesar disso, a vida seguiu e ela precisou deixar o passado, e ele, para trás, e quando ele mais precisava ela acabou deixando ele de lado.
É um pouco manipulativo ás vezes?? Sim. Mas ela consegue alcançar o seu objetivo e contar essa história emocionante que serve como uma grande carta de amor ao seu professor (e não tem como não se emocionar no momento da morte do personagem). Não é uma leitura exatamente fácil, mas vale cada página.
Blank Canvas: My So-Called Artist's Journey foi publicado originalmente no Japão em 5 volumes pela Shueisha em 2011. No Brasil, o quadrinho é publicado pela editora Devir, atualmente disponível em catálogo.
9. Blue Period, por Tsubasa Yamaguchi (2017)
Yatora Yaguchi, um estudante do segundo ano do ensino médio, está entediado com sua vida normal. Ele estuda bastante e se diverte com os amigos, mas, na verdade, não gosta de nenhuma dessas atividades. Preso às normas, ele secretamente dispensa aqueles que fazem as coisas de maneira diferente. Isso até que ele descobre a alegria de desenhar. Ao ver uma pintura feita por um membro do Clube de Arte, Yatora fica fascinado pelas cores utilizadas. Mais tarde, em um exercício de arte, ele tenta expressar sua linguagem sem palavras, apenas através da pintura. Após essa experiência, Yatora se vê tão envolvido com a arte que decide que é isso que quer fazer da vida. Mas vários obstáculos se interpõem em seu caminho: seus pais, que hesitam em aceitar suas escolhas únicas, seus colegas mais experientes e o estudo de um assunto muito mais profundo do que ele imaginava inicialmente.
“Eu… Tenho interesse em pessoas. História, cultura, os cenários, imagens. Eu amo tudo que tem resquício de pessoas.”
O desafio da arte, e de seguir os seus sonhos da forma mais real e bela possível personificados em um mangá. O que começa com a descoberta de uma nova paixão e um motivo de viver, o jovem Yaguchi mal sabia que a sua paixão por arte se tornaria em um pesadelo.
Embora tenha talento e garra, o mundo é mais complexo e cheio de desafios inesperados. Todo o primeiro arco (cerca de 15 capítulos) segue o início dessa paixão e o treino de Yaguchi para ingressar na maior e melhor faculdade de artes do Japão, que é extremamente seletiva. E ao conseguir ingressar, ele se depara não só com colegas que são infinitamente mais geniais, confiantes e talentosos que ele, mas que tem propósitos definidos.
Tudo que o mangá faz com o protagonista e a história a partir do capítulo vinte (e tem cerca de 80 publicados até agora, e sem previsão de fim) é ouro, principalmente esses sentimentos de frustração e conflitos com alguns professores (que eu só queria destacar que são a pessoas mais "design de personagem de anime™" desse mangá).
Os personagens de apoio são excelentes também. Sempre que o autor foca neles e dá mais espaço eles brilham. Não só servem pra desenvolver o protagonista, mas suas histórias, personalidades, humor e pontos de vista agregam muito pra toda a discussão sobre arte.
Inspirador, lindo e viciante, "Blue Period" é um dos melhores mangás em publicação no momento. Posso estar um pouco emocionado por meio que estar passando pelo que o protagonista está sofrendo (em níveis completamente diferentes, é claro), essa identificação me faz amar o mangá ainda mais.
Blue Period é atualmente publicado no Japão pela Kodansha desde 2017. No Brasil, o quadrinho é publicado pela editora Panini Comics, atualmente disponível em catálogo.
8. I Had That Same Dream Again, por Yoru Sumino e Idumi Kirihara (Mata, Onaji Yume wo Miteita, 2017)
Nanoka Koyanagi, uma estudante do ensino fundamental, se considera estranha. Ela costuma usar isso como desculpa para evitar fazer coisas que não gosta, como participar das aulas de educação física ou se dar bem com os colegas. Por preocupação e boa vontade, sua professora a incumbe de descobrir o significado de "felicidade". Enquanto pensa na lição de casa, Nanoka encontra Abazure-san, uma moça alegre que a ajuda a salvar um gato. Nanoka também visita regularmente Obaa-chan, uma senhora idosa que passa seus últimos anos na floresta. Um dia, Nanoka se perde na floresta e encontra Minami, uma estudante do ensino médio, praticando automutilação. À medida que Nanoka se aproxima dessas três pessoas únicas, suas histórias e experiências moldam seu caminho em direção à busca interior e à autodescoberta.
Uma criança em busca da resposta sobre o que é a felicidade sendo guiada por 3 mulheres de idades diferentes e um gatinho preto. A felicidade é algo vago e amplo, tendo diferentes significados para as pessoas, e o mangá consegue chegar nesse ponto de uma forma... interessante.
Esses diferentes pontos de vistas sobre a vida pelo olhar de mulheres em diferentes ponto da vida, onde cada uma tem vivências, perspectivas e sonhos diferentes para suas vidas. "Eu Tive Aquele Mesmo Sonho Novamente", o título do mangá encapsula bem isso, já que todos já sonhamos com vidas melhores ou com as coisas que almejamos tanto.
Esse é um caso de uma história bem básica, previsível (menos o fim) e com mensagens batidas. Mas é uma leitura tão agradável, bonita e emocionante. Acho que o fato da história ser pelo ponto de vista de uma criança (e mais pra frente tem outro mangá semelhante) agrega muito, e não tem como não dar uma choradinha com o final.
Todo o final e as revelações sobre o que esse mangá realmente é são um pouco repentinos (e por isso não quero falar muito pra não dar spoilers) e não vão descer bem de primeira, levando algum tempo pra digerir.
I Had That Same Dream Again foi publicado originalmente no Japão em 3 volumes pela Futabasha em 2017. No Brasil, o quadrinho segue inédito.
7. Rainbow: Nisha Rokubou no Shichinin, por George Abe e Masasumi Kakizaki (2002)
Seis menores (de 16 ou 17 anos), conhecidos pelos apelidos de Joe, Mario, Suppon, Baremoto, Heitai e Kyabetsu, são enviados para um reformatório por delitos como agressão qualificada, fraude, fuga, etc. Sua estadia no inferno começa imediatamente. Acolhidos por um médico pedófilo, eles ficam sob a vigilância de uma equipe despótica e brutal. Companheiros de cela de um certo Sakuragi (chamado Anchan), a tensão aumenta entre o grupo de amigos e seu novo "amigo". Uma briga irrompe e nossos seis prisioneiros são nocauteados por um misterioso jovem graças ao seu talento para o boxe. A história não apenas acompanha a vida desses sete personagens tentando sobreviver em seu ambiente infernal, mas também suas desilusões devido à rejeição do mundo exterior e de seus relacionamentos próximos. Trata-se das extraordinárias e invencíveis amizades entre esses jovens.
Todo mundo gosta de histórais que envolvem prisões, injustiças e uma busca por redenção. E isso é "Rainbow". Jovens perdidos no mundo que cometeram erros ou justiça com as próprias mãos, presos e abusados pelo sistema encontram uma nova vida juntos, nadando de braçada contra o mundo para se ajudarem e sobreviver.
O mais impressionante é como a história te vende que esses personagens realmente se importam uns com os outros, sendo a mais pura definição de amor (não romanticamente). Sempre que o perigo surge eles buscam maneiras de se ajudar e enfrentar os piores tipos de monstros, e sempre que a vida de um está em risco você sente o perigo de uma forma que parece que está inserido dentro da história.
É uma jornada que se perde um pouquinho no terceiro ato, com alguns plots tirados do absoluto c# e que se arrastam muito. Mas é impossível parar de ler e não ficar preso à esses personagens, com alguns momentos que se eu falasse que não rolaram uma pequenas frações de lágrimas no cantinho do olho, estaria mentindo.
Rainbow: Nisha Rokubou no Shichinin foi publicado originalmente no Japão em 22 volumes pela Shogakukan em 2002. No Brasil, o quadrinho segue inédito.
6. Annarasumanara, por Il-Kwon Ha (2010)
Corre o boato de que um mágico vive na tenda ao lado do parque temático abandonado; alguns até dizem que sua magia é real. No entanto, antes de começar seu show, ele sempre pergunta à plateia: "Vocês acreditam em magia?" Para Yoon Ah-ee, a magia parece uma lembrança distante. Diante da dura realidade da pobreza, ela passa todo o seu tempo estudando, trabalhando e cuidando da irmã mais nova na ausência dos pais. Ela não acredita mais nos milagres da magia, assim como seu colega cético, Na Il-Deung, que foi criado acreditando que uma boa educação é o único caminho para a vida. Quando Ah-ee se depara com o parque temático abandonado e tem um encontro fortuito com o mágico, sua vida muda para sempre.
Apesar da colocação alta, não tenho lá muito o que falar de "Annarasumanara". É outro que eu li bem no comecinho de 2025 e que sempre tive curiosidade pela premissa.
A história trágica e os personagens são um chamariz interessante, sempre te surpreendendo e com escolhas narrativas bem... únicas. As vezes o drama parece um pouco forçado para te fazer chorar de uma forma exagerada, mas gosto como ele mantem até o fim um mistério de se os poderes do mágico são reais e o trio de personagens principais são interessantes.
No mais o maior destaque que fez com que ele me marcasse tanto é a arte e narrativa gráfica de Ha, que é algo que eu nunca vi antes. Existem páginas que utilizam a narrativa gráfica dos quadrinhos na sua mais poderosa essência, mostrando o poder total da mídia quadrinhos como poucos sabem fazer. É realmente como se estivéssemos vendo um truque de mágica.
Vi também que a webtoon ganhou uma adaptação em live-action na Coréia, e com curiosidade de ver como adaptaram os visuais (incluindo o design maravilhoso esquisito de um personagem), vi que é só sem graça e reforça a qualidade gráfica do quadrinho.
Annarasumanara foi publicado originalmente digitalmente na Coréia do Sul em 3 volumes pela Naver Webtoon em 2010. No Brasil, o quadrinho segue inédito.
5. Solanin, por Inio Asano (2005)
Desde que se formou na faculdade, Meiko Inoue, de 23 anos, acredita em uma coisa: há um demônio à espreita em Tóquio. A presença desse mal a deixou entediada, sem rumo e com saudades da empolgação da juventude, levando-a a refletir sobre o que realmente busca na vida. Surpreendentemente, quando Meiko propõe ao namorado, Naruo Taneda, a ideia de largar o emprego, ele concorda sonolento. Profundamente inspirada pelas palavras de encorajamento dele, Meiko abandona sua antiga vida às pressas, buscando um novo começo, e Taneda logo a segue. Juntos, eles resgatam os sonhos da época da faculdade e decidem reviver a Rotti, a antiga banda de Taneda. Enquanto os dois se apresentam com confiança ao lado dos antigos amigos, com instrumentos em mãos, a vida lhes reserva uma surpresa inesperada, deixando Meiko e seus amigos para trás, tentando reconstruir o que foi destruído.
Este ano cheguei a conclusão de que não gosto de Inio Asano (Boa Noite PunPun), já que suas principais obras não falaram comigo e nem causaram um grande impacto (sem falar algumas obsessões do autor que sempre me fazem erguer a sobrancelha de desconfiança). Dito isto, estou sempre disposto a dar uma chance por que querendo ou não, Asano é um grande nome e sempre tem algo a dizer, e "Solanin" era a sua última grande obra que eu não havia lido.
Parte de mim relutava em ler "Solanin", pois sabia os principais temas da história e por estar vivendo no exato momento da vida em que os protagonistas estão, passando por alguns dos mesmos dilemas, queria preservar a minha saúde mental. É pra minha surpresa, o resultado foi o oposto do que imaginava.
Esse é um dos mangás que mais me impactou no ano sem dúvidas, não por ser extremamente realista com a vida, mas por ser surpreendentemente maduro e empático, no sentido de entender como as pessoas realmente são e se sentem com relação a vida.
Em um momento você não tem nada, depois reganha a fé na vida só para perder tudo novamente. Mas mesmo assim, continua seguindo em frente. O capítulo extra feito 10 anos após o fim do mangá é um ótimo estudo do amadurecimento de um autor e das pessoas em si, complementando a obra como poucas vezes antes visto.
"Solanin" conta uma história íntima sobre as provações e tribulações do amor, da perda e do luto, centrada em pessoas na faixa dos vinte anos que frequentemente ficam à margem da sociedade. De longe o melhor e mais maduro trabalho do mangaká.
Solanin foi publicado originalmente no Japão em 2 volumes pela Shogakukan em 2005. No Brasil, o quadrinho foi publicado em 1 volume pela editora L&PM Editores, atualmente disponível em catálogo.
4. Vinland Saga, por Makoto Yukimura (2005)
Thorfinn, filho de um dos maiores guerreiros vikings, está entre os melhores lutadores do alegre bando de mercenários liderado pelo astuto Askeladd, um feito impressionante para alguém de sua idade. No entanto, Thorfinn não faz parte do grupo pelos saques que ele coleta — em vez disso, por ter causado uma grande tragédia à sua família, o garoto jurou matar Askeladd em um duelo justo. Ainda não habilidoso o suficiente para derrotá-lo, mas incapaz de abandonar sua vingança, Thorfinn passa sua infância com o grupo de mercenários, aprimorando suas habilidades no campo de batalha entre os dinamarqueses amantes da guerra, onde matar é apenas mais um prazer da vida.
Dos encerramentos de 2025, este foi sem dúvidas o maior em todos os aspectos. 20 anos em publicação, e pelo menos uns 12 anos acompanhando a bela jornada de Thorfinn e seus amigos em busca de um mundo sem violência.
Não vou me ater a obra inteira, seguindo a lógica do texto comentando apenas os capítulos que li em 2025 que abordam o fim do arco "Vinland", que encerra o mangá.
Thorfinn continua tentando criar o seu paraíso sem violência e uma comunidade amigável com os nativos, mesmo tendo algumas pessoas que estão fazendo de tudo para acabar com esse ideal, causando um conflito entre os dois povos.
Foi uma jornada inesquecível e que vou revisitar muitas vezes durante a minha vida. O fim tem um gostinho amargo já que Thorfinn, querendo ou não chega a conclusão que a sua ideia de um mundo sem violência é utópica, mas sem deixar plantadinha uma sementinha de esperança. Um final digno pra um mangá que propôs muitas discussões profundas e sem medo de até o fim colocar o seu protagonista contra a parede pelos erros que cometeu. Um mangá excepcional que todo mundo deveria ler uma vez na vida.
Vinland Saga foi publicado originalmente no Japão em 29 volumes pela Kodansha em 2005. No Brasil, o quadrinho foi publicado em 29 volumes pela editora Panini Comics, atualmente disponível em catálogo.
3. Monster, por Naoki Urasawa (1994)
Kenzou Tenma, um renomado neurocirurgião japonês que trabalha na Alemanha do pós-guerra, enfrenta uma difícil escolha: operar Johan Liebert, um menino órfão à beira da morte, ou o prefeito de Düsseldorf. No fim, Tenma decide arriscar sua reputação salvando Johan, deixando o prefeito para morrer. Como consequência de suas ações, o diretor do hospital, Heinemann, o demite, e sua filha, Eva, rompe o noivado. Desgraçado e rejeitado pelos colegas, Tenma perde toda a esperança de uma carreira de sucesso — até que o misterioso assassinato de Heinemann lhe dá uma nova chance. Nove anos depois, Tenma é o chefe do departamento de cirurgia e está prestes a se tornar o próprio diretor. Embora tudo pareça bem a princípio, ele logo se vê envolvido em uma série de assassinatos brutais que ocorreram por toda a Alemanha. O culpado é um monstro — o mesmo que Tenma salvou naquele fatídico dia, nove anos atrás.
"Se você for humano, salvaria o diabo."
Sim, eu nunca tinha lido "Monster". Todos sabem a fama e reconhecimento que Naoki Urasawa (20th Century Boys, Pluto) tem, e esse é talvez o seu mangá mais famoso e aclamado.
A luta do bem contra o mau, um jogo de gato e rato. O Dr. Tenma busca descobrir a verdade por trás do garoto que salvou no passado, que hoje é um monstro assassino em série que tem objetivos nefastos por trás.
Os mistérios são conduzidos da forma maestral que apenas Urasawa sabe fazer, pulando de personagens importantes para novos em um piscar, te fazendo perguntar o que eles significam e por que ele está nos mostrando isso. As histórias "secundárias" que atingem o emocional, os personagens que vão te conquistando. Tudo isso agrega para essa grande trama que termina de uma maneira exemplar e que vai ficar com você para o resto da vida.
Johan é um dos grandes antagonistas/vilões da ficção, mesmo aparecendo bem pouco no mangá. Ele tem uma presença única, e mesmo sem estar em cena, sua sombra paira tudo. Ele é um monstro criado para ser um líder, quem sabe uma espécie de "Hitler 2.0". A diferença é que ele não sente ódio, empatia ou qualquer tipo de sentimento pela humanidade, com seu sonho sendo aniquilar toda a vida no planeta. Tudo isso, sem esboçar qualquer expressão, manipulando a todos e conseguindo convencer pessoas simples a cometer qualquer ato. O tipo de figura perfeita para antagonizar o protagonista que é personificação da bondade.
Toda a história se resume em quem é o verdadeiro monstro, e se o Dr. Tenma, o personagem mais bondoso e puro da ficção, irá puxar o gatilho e matar esse monstro que ele mesmo salvou. "Monster" também não é o meu mangá favorito de Urasawa, mas é uma obra-prima das histórias em quadrinho e proporciona o tipo de experiência e narrativa de história que apenas esse autor pode nos proporcionar.
Monster foi publicado originalmente no Japão em 18 volumes pela Shogakukan em 1994. No Brasil, o quadrinho foi publicado em 9 volumes pela editora Panini Comics, atualmente disponível em catálogo.
2. Sunny, por Taiyou Matsumoto (2010)
Na Casa das Crianças Estelares, uma mistura de lar coletivo e orfanato, vive um grupo peculiar de crianças que enfrentam tanto os problemas cotidianos do crescimento quanto aqueles específicos de crianças abandonadas ou órfãs. Sua única forma de escapar é o Sunny, um carro velho estacionado a uma certa distância da casa. No Sunny, elas podem viajar pelo mundo, ir para o espaço ou simplesmente encontrar um refúgio dos problemas do seu mundo.
“Se esquecer a felicidade, a tristeza some… A dor some como se fosse mágica.”
Um grupo de crianças que foram abandonadas por seus pais e colocadas nesse lar para viverem juntas até que as "coisas fossem resolvidas". Totalmente rebeldes e perdidas, elas buscam refúgio muitas vezes em um carro abandonado perto da casa apelidado de Sunny.
O mangá segue uma formula de cada capítulo focando em uma das crianças, seus sonhos e as relações conturbadas com os pais. É sempre de partir o coração ver que apesar de se fazerem fortes, no fim elas continuam sendo crianças.
Haruo, o protagonista da história, é um garoto rebelde, arteiro, que pintou o cabelo de branco e usa óculos escuros tentando parecer alguém legal. Mas continua sendo uma criança abandonada pelos pais, que sempre que aparecem para falar com ele são capítulos angustiantes e de cortar o coração.
A arte de Taiyou Matsumoto (Ping Pong, Tekkon Kinkreet) é um gosto adquirido com o passar da leitura. Mesmo já conhecendo (e adorando) outras obras do autor e o seu estilo de desenho, tem sempre aquela estranheza inicial por conta dos designes "feios" das pessoas. Mas isso logo passa e você consegue apreciar a arte estupenda desse gênio da nona arte.
"Sunny" é uma das leituras de 2025 que me destruiu. É covardia usar crianças e bichinhos para apelar para o nosso emocional, mas é um golpe baixo que funciona. Dentre o abandono, carinho e uma busca pela felicidade que chega ao encontrarmos uma família de verdade, talvez esse seja o meu mangá preferido do autor.
Sunny foi publicado originalmente no Japão em 6 volumes pela Shogakukan em 2010. No Brasil, o quadrinho foi publicado em 3 volumes pela editora Devir, atualmente disponível em catálogo.
1. O Diário do Meu Pai, por Jiro Taniguchi (Chichi no Koyomi, 1994)
Uma família é devastada pelo Grande Incêndio de Tottori de 1952, mas consegue se reconciliar com o desastre e se libertar dos laços que a prendiam.
“Minha terra natal sempre esteve aqui… por todo este tempo inalterada. E hoje penso… Não somos nós que voltamos para a terra natal… É a terra natal que, um dia, retorna ao coração de cada um de nós.”
Ao saber que seu pai veio a falecer, um homem chamado retorna para a sua cidade natal para o enterro, reencontrando velhos conhecidos, sua irmã e o seu passado conturbado com seu pai. Ao remoer velhas feridas no funeral, ele descobre toda a trajetória de seu pai, suas lutas, desafios e facetas que desconhecia sobre essa figura tão misteriosa.
Ao descobrir quem seu pai realmente era, através das memórias de outras pessoas, o sentimento de culpa cresce ao saber que ele o amava, e era tão amado por todos. Mesmo incapaz de derramar lágrimas pelo pai, tantas pessoas vieram ao seu funeral, choraram e compartilharam lembranças alegres. E mesmo sem expressar, seu pai o amava mais do que tudo, da sua forma, expressando diariamente esse sentimento para as pessoas a sua volta.
Mas e aí? O que sobra pra ele (ou nós) depois disso tudo? A resposta é nada. Não tem como alterar o passado, e ele irá viver o resto da vida com essa culpa de não ter conhecido o seu pai de verdade, e se afastado dele por toda a vida sem qualquer chance de mudar isso. Mas nem tudo é em vão, já que essa lição serve pra lembra-lo da importância de mudar e se conectar mais com as pessoas e os seus locais de origem.
Terminei a leitura debulhado em lágrimas. Mesmo meu pai estando vivo e tendo um bom relacionamento comigo, não tem como não pensar nas coisas que virão, nos sentimentos mal resolvidos e nas coisas que poderiam ser ditas. Uma obra-prima que fala com todo mundo, te lembrando que você tem que aproveitar cada segundo com os seus pais, já que o tempo não volta.
O Diário do Meu Pai foi publicado originalmente no Japão em 1 volume pela Shogakukan em 1994. No Brasil, o quadrinho foi publicado em 1 volume pela editora Pipoca e Nanquim, atualmente disponível em catálogo.
Gostaram da lista??? Quais destes vocês já leram e quais se interessaram em ler?? Quais são as suas melhores leituras de 2025? Não deixe de comentar aqui na área de comentários, e que 2026 traga muitas leituras boas para todos nós!
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