Avatar retorna aos cinemas com um hiato bem menor em sua terceira entrada, em comparação com seu antecessor que levou mais de 10 anos para ser produzido. Somos agraciados novamente com a dimensão paralela criada por James Cameron, mas fica a dúvida: este novo capítulo está à altura dos outros dois?


Em Avatar: Fogo e Cinzas, ainda vemos muito de O Caminho da Água; não seria estranho, inclusive, considerá-lo uma "parte dois" do segundo filme. Pouquíssimas ideias novas são apresentadas, sendo a mais relevante delas a tribo de saqueadores e adoradores do fogo — talvez a razão de o filme carregar esse subtítulo. Mas já adianto: há muito mais água do que fogo nesta história.

Esta franquia não é composta por elementos magistrais no que tange à história e aos personagens. Seu real diferencial continua sendo os efeitos visuais que, como sempre, elevam a barra da indústria. Aqui não foi diferente: Avatar 3 é, agora, o filme com o CGI mais avançado que temos. Já a trilha sonora, o desenvolvimento de personagens e o enredo seguem os clichês; portanto, não espere por grandes reviravoltas, pois a narrativa segue a estrutura clássica de conflito e recompensa.

A experiência de Avatar 3 é enriquecida se os outros dois filmes estiverem frescos na memória. Mas, se você é daqueles que, assim como eu, só viu os anteriores no cinema, o roteiro faz um bom trabalho em relembrar tópicos relevantes sem se render a exposições baratas.

Não diferindo de outras franquias de sucesso, sua estrutura narrativa é semelhante em sua totalidade. Assim como todo Senhor dos Anéis encerra com uma luta contra orcs, todo Star Wars termina em combate contra o Império e quase todo Harry Potter tem o embate com Voldemort, aqui a fórmula se repete.

Houve, porém, uma evolução: os temas que a franquia transmite não são mais "esfregados na cara" de modo sentimental e barato. Mas não se engane: ainda são humanos maus querendo destruir o planeta contra Na’vis do bem querendo preservá-lo — ao menos a maioria deles, pois a tribo do fogo altera um pouco essa dinâmica. O roteiro segue simplificado, agindo algumas vezes em detrimento da coesão para priorizar a ação.

Avatar 3 não reinventa a roda nem se arrisca, mas nem por isso é um filme ruim ou mediano. No que se propõe, tem grande sucesso e execução eficiente, mantendo o nível de seus predecessores. Com certeza vale a ida ao melhor cinema à disposição para aprimorar a experiência escapista que a franquia sempre trouxe.

Nota: 8,0


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